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Rio de Janeiro

Frei Betto afirma que verdadeira jornada da juventude foram manifestações de junho

Para escritor e comentarista da Rádio Brasil Atual, papa Francisco chega a um país diferente daquele de alguns meses atrás, com jovens reivindicando democracia realmente participativa
por Redação RBA publicado 22/07/2013 12h09, última modificação 22/07/2013 12h12
Para escritor e comentarista da Rádio Brasil Atual, papa Francisco chega a um país diferente daquele de alguns meses atrás, com jovens reivindicando democracia realmente participativa
Sebastião Moreira/EFE
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Jovens que se preparam para receber o papa têm "fome de pão e de beleza"

São Paulo – Em sua coluna semanal na Rádio Brasil Atual, o assessor de movimentos sociais e escritor Frei Betto afirmou que o papa Francisco, que chega hoje (22) ao Brasil para a Jornada Mundial da Juventude, encontrará um cenário social "em ebulição" por conta das manifestações de junho.

“A jornada promovida pela Igreja foi surpreendida pela grande jornada nacional da juventude, com os jovens ocupando as ruas do país. A novidade é que o papa vai chegar num Brasil que esteve recentemente em ebulição, onde a juventude agora faz a hora e não espera acontecer”, disse.

Para Frei Betto, a juventude que ocupou as ruas no mês passado “tem fome de pão e de beleza”, e sente a necessidade de uma melhoria geral nos serviços públicos e nos recursos investidos neles, em contraposição àqueles investidos em grandes obras para sediar grandes eventos, como a Copa do Mundo de 2014.

“A jornada nacional da juventude comprova que a juventude no Brasil tem fome de pão e de beleza. Ela quer erradicar a miséria, o analfabetismo, diminuir filas em hospitais, postos de saúde, e quer que o dinheiro seja revertido em beneficio do povo, e não canalizado para obras faraônicas de eventos esportivos, e infelizmente, para a deslavada corrupção.”

A reivindicação por uma democracia participativa é outra demanda dessa nova juventude que receberá o papa, segundo o comentarista. “Os jovens reivindicam sair da fome de beleza, porque querem mais cultura, mais ética na atividade política, querem um sentido para a existência que os liberte da pressão do consumismo neoliberal e os faça protagonistas de um processo democrático de fato participativo, e não meramente participativo, como é hoje no Brasil, em que a classe política permanece divorciada da sociedade civil.”

Frei Betto ainda afirma que vê nos jovens do país os valores principais do Evangelho. “A fé, a esperança, e o amor. Talvez o conteúdo destes três valores não coincidam exatamente, na cabeça dos jovens, com os conteúdos do catecismo católico mas seus objetivos obrigam nossos políticos a se voltarem para o bem comum, e essa é a prioridade da doutrina social da Igreja Católica, a promoção do bem comum.”

Ouça aqui o comentário de Frei Betto na Rádio Brasil Atual.