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Violência impede diálogo, diz prefeita em exercício de São Paulo

Após outra noite de confrontos e depredações, 11 ativistas ficam presos sem direito a fiança e serão mandados para o Centro de Detenção Provisória da capital

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Radial Leste

Protesto contra alta da tarifa de ônibus em São Paulo: quebradeira, confrontos e prisões

São Paulo – A prefeita de São Paulo em exercício, Nádia Campeão (PCdoB), afirmou hoje (12) que os protestos contra o aumento das tarifas de ônibus, metrô e trens em São Paulo usam métodos que impedem o diálogo e a busca de soluções. A declaração foi dada ao jornal Bom Dia São Paulo, da TV Globo, depois de mais uma noite violenta em que parte dos manifestantes entrou em confronto com policiais e deixou um rastro de depredação entre as regiões da avenida Paulista e da praça da Sé.

“Acho que, depois dos acontecimentos nessas três manifestações, a vontade dos manifestantes não é dialogar. Os métodos utilizados afastam o diálogo, não aproximam. Não podemos aceitar que o objetivo seja criar transtorno. O diálogo nessas condições não é possível”, afirmou Nádia. Ela assumiu a prefeitura na segunda-feira (10), enquanto Fernando Haddad está em Paris defendendo a candidatura de São Paulo para sediar a feitra internacional Expo 2020.

Representantes da prefeitura e do governo do estado devem participar hoje de uma conversa mediada pelo Ministério Público, com a participação também de lideranças no movimento.

O MPL tem novo protesto programado para amanhã (13) na frente do Teatro Municipal. O aumento das passagens, nos três casos, ficou abaixo da inflação acumulada. No caso do ônibus, o reajuste foi de 6,7%, ante inflação de 15,5% desde a última majoração, em janeiro de 2011. O movimento, porém, tem como bandeira principal a “tarifa zero”. No caso específico, reivindica reajuste zero.

Detenção

O protesto de ontem à noite terminou com 20 pessoas detidas na delegacia do bairro Jardim, zona sul, segundo informações da Polícia Civil.

Dos detidos, 11 foram presos sem direito a fiança por formação de quadrilha, incêndio e danos ao patrimônio público. A negativa de fiança se dá pelo enquadramento em formação de quadrilha. Nesses casos, apenas a Justiça pode determinar o valor a ser pago pela pessoa para sair da cadeia.

Durante o protesto, além dos confrontos com a Polícia Militar, houve danos a ônibus, com um deles incendiado, pichações e depredações em estações de ônibus e metrô, além de outros locais, como estabelecimentos comerciais e a sede nacional do PT, que fica perto da Sé.

Os 11 presos seriam levados na manhã de hoje (12) para os DPs Bom Retiro e Portal do Morumbi, onde aguardariam transferência para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Pinheiros, na capital.

Entre eles, está o Pedro Ribeiro Nogueira, repórter do Portal Aprendiz. Segundo nota da Associação Cidade Escola Aprendiz, o delegado responsável pelo distrito policial, Severino Pereira, não quis receber as duas representantes da instituição que foram até a delegacia atestar que Nogueira estava cobrindo o ato.

As fianças para os demais, segundo a página do MPL no Facebook, foram estabelecidas entre R$ 3 mil e R$ 20 mil. O movimento postou durante a madrugada um pedido de ajuda financeira para liberá-los, com um número de conta bancária para depósitos. Porém, segundo a polícia, as fianças foram pagas hoje cedo e todos já teriam deixado a delegacia.