Democratização

Vannuchi: ‘Manifestações pelo Brasil trazem sopro de participação social’

Ex-ministro afirma que juventude é 'principal remédio' para romper a ideia de que a política 'não presta' e diz que atuação de grupos violentos é minoritária

Danilo Ramos/RBA
Sexto ato contra o aumento

Vannuchi ressaltou que a mobilização em diversas cidades do Brasil pode trazer a sociedade civil para debate mais participativo

São Paulo – O ex-ministro da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República Paulo Vannuchi afirmou que as manifestações contra o aumento da passagem de ônibus que começaram há duas semanas em São Paulo se transformaram em um movimento mais amplo, em que milhares de pessoas vão às ruas por todo o país de maneira democrática para reivindicar qualidade no transporte e em outros serviços públicos.

“O transporte foi o estopim e o agora o movimento é muito maior que isso, é um enorme e gigantesco sopro de participação, e a participação social é uma espécie de combustível da vida democrática.” O comentarista político da Rádio Brasil Atual ainda ressaltou que o caráter autogestionário do Movimento Passe Livre, responsável pela organização dos atos contra o aumento em São Paulo, não deve ser estranhado por movimentos sociais mais tradicionais.

“O movimento das pessoas nas ruas deve ser aplaudido, saudado, as organizações sociais, sindicais e populares não devem ficar estranhando as novas formas de organização. O Movimento Passe Livre é autogestionário e não gosta de direção.” Ele lembrou, entretanto, que este é um fator que contribui para que pequenos grupos mais radicais depredem e saqueiem patrimônios públicos e privados. “Estes grupos são acidente, mas precisam ser tratados devidamente para não se perder o controle da situação. Mas felizmente se deixou de lado o discurso da baderna, o discurso do vandalismo, que remete à ditadura, que pregava o discurso da criminalização de movimentos sociais.”

O “sopro de participação” definido por Vannuchi, coincide, segundo ele, com a história política do ex-presidente Lula e da presidenta Dilma Rousseff. “Com o próprio PT, que são as forças que estão no governo federal. Mas como os governos Lula e Dilma são governos que precisam compor alianças inclusive com segmentos mais à direita, os movimentos sociais e populares são, em alguns poucos momentos, deixados no segundo plano.”

Ele ainda ressaltou que a mobilização de milhares de pessoas em diversas cidades do Brasil pode trazer à sociedade civil para um debate mais participativo politicamente. “É bom que esta juventude saia à rua porque pode ser o principal remédio para o que o Brasil está acostumado a viver, que é a descrença pela política à direita, tratando a política como um horror. Essa negação acaba trazendo a ideia de que se a politica não presta, o que presta é a vida privada, a vida das empresas, do lucro, a vida não social”, finalizou.

Ouça aqui o comentário de Vannuchi na Rádio Brasil Atual.