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Tendência no ‘Conselhão’ é apoiar redução da tarifa em São Paulo

Conselheiros invertem a pauta da reunião, falam antes do prefeito Fernando Haddad e indicam alinhamento à reivindicação do MPL

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Após MPL anunciar saída após a fala de Haddade debate, conselheiros exigiram falar antes do prefeito

São Paulo – É grande a tendência de o Conselho da Cidade de São Paulo, formado por 140 representantes de vários setores sociais, culturais e econômicos, manifestar-se hoje a favor da redução da tarifa de ônibus no município.

O “Conselhão”, instituído pelo prefeito Fernando Haddad (PT) logo depois de sua posse, está reunido hoje (18) com ele e com ativistas do Movimento Passe Livre (MPL) na sede da prefeitura. A reunião foi convocada por Haddad após a série de protestos iniciados pelo MPL há duas semanas.

O prefeito fez a abertura do encontro, passou a palavra ao MPL e voltaria a falar para expor dados relativos ao transporte público e defender a tese de manutenção da tarifa. Depois falariam os conselheiros. Mas a reunião tomou outro rumo.

Como o MPL havia anunciado que iria embora após a fala de Haddad (por não considerar o Conselho o fórum ideal de debate), os conselheiros se rebelaram e exigiram falar antes do prefeito, para também serem ouvidos pelo movimento.

Os mais exaltados eram o ator Ney Piacentini, presidente do Instituto Internacional de Teatro, e Frei David Raimundo dos Santos, presidente da ONG Educafro. A questão foi levada a voto e, por ampla maioria, os conselheiros inverteram a pauta.

Os dois primeiros a falar – o sociólogo Silvio Caccia Bava, da Rede Nossa São Paulo, e o jornalista Leonardo Sakamoto, do Repórter Brasil – defenderam a revogação do aumento.

A reunião prossegue nesse momento. Já falaram de 30 dos 36 conselheiros inscritos. Todos abraçaram a tese da revogação. Emblemática do ambiente político criado com o crescimento das manifestações foi a fala do economista Luiz Carlos Bresser-Pereira, historicamente ligado ao PSDB, mas muito próximo nos últimos anos do projeto desenvolvimentista dos governos do PT.

Ele se disse contrário à tarifa zero, principal bandeira do MPL, mas afirmou que é preciso “mais transparência” sobre os custos do setor e limites aos lucros dos empresários de ônibus. Por fim, Bresser também pediu a revogação do aumento.

Nesse sentido, Ney Piacentini levantou um ponto consideradi importante por muitos conselheiros, o que é preciso “trazer o empresariado para o debate”.

Na exposição inicial, o prefeito havia dito que a população arca com 70% dos custos do transporte, pagando por viagem. O poder público subsidia 20%, com verba do Orçamento, e as empresas, que operam o sistema, entram com apenas 10%.

Haddad reconheceu que é preciso mudar essa relação, mas afirmou que isso precisa ser feito com planejamento.

Já o MPL pediu acesso às planilhas de custo do transporte público nos últimos 20 anos.

A reunião prossegue neste momento.

Com informações do repórter Rodrigo Gomes