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Em fórum de cidades, Tarso Genro afirma que neoliberalismo destrói a dignidade da política

Para o governador gaúcho, endividamento público foi utilizado para prender o Estado ao mercado financeiro e desacreditar a prática política e os partidos
por Rodrigo Gomes, da RBA publicado 12/06/2013 10h06, última modificação 12/06/2013 12h43
Para o governador gaúcho, endividamento público foi utilizado para prender o Estado ao mercado financeiro e desacreditar a prática política e os partidos
Secom/Canoas
abertura falp

Abertura do 3º Falp teve discursos firmes contra o neoliberalismo, iniciados pelo prefeito de Canoas

Canoas (RS) – O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), afirmou na noite de ontem (11) que é preciso enfrentar o controle do espaço político pelo capital financeiro. “Devemos derrotar o projeto neoliberal, que retira a dignidade da política, submetendo os sujeitos estatais à sua lógica e destruindo as conquistas que a sociedade moderna conseguiu ao longo das lutas sociais”, disse, na abertura do 3º Fórum Mundial de Autoridades Locais de Periferia (Falp), em Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre.

“Esse capital capturou as funções do Estado e submeteu-o aos seus interesses. Ao longo dos anos 1990 o Estado foi perdendo a função de desenvolver políticas públicas através da escravização pela dívida pública. Esse processo tem mandatários que têm identidade, endereço e são parte do sistema mundial”, afirmou o governador. Segundo ele, esse sistema submete os partidos à lógica do mercado e desmerece a prática política perante à opinião pública "para que que ela possa servir a interesses mercadológicos”.

Para Genro, esse caminho é perigoso. “Substitui a política pela técnica e na base disso está a saída fascista”, disse o governador. Para ele, ações como a organização de atores políticos progressistas através do Falp tem a função de dissolver as barreiras burocráticas e autoritárias que separam os movimentos sociais e a população do Estado. “Revigorar a política e adequar os agentes sociais transformadores da realidade a um novo tempo é o que está na fundação deste fórum”, concluiu.

Cidades inclusivas

O prefeito de Canoas, Jairo Jorge da Silva (PT), afirmou sua incredulidade nos sistemas político e econômico globalizados. “Somos aqueles que não acreditam no deus-mercado. Queremos uma cidade que valorize as pessoas. Buscamos um novo modelo de desenvolvimento, com cidades inclusivas e democráticas.”

Na concepção do prefeito, o ideal de "grande cidade" também deve ser revisto. “Cidades grandes são aquelas focadas em seus cidadãos. As novas metrópoles devem ser democráticas e participativas. Devem ser solidárias, com soluções pactuadas por todos. E sustentáveis para enfrentar os desafios que se impõe para o futuro”, completou.

Em Canoas, segundo o prefeito, iniciativas como Orçamento Participativo, audiências públicas para discutir o Plano Plurianual e projetos com participação popular, como os Territórios de Paz – iniciativas de redução da violência e promoção de cidadania –, são parte da estrutura de gestão e decisivos para garantir que se atue pelo interesse da maioria da população.

Fracasso

Para o prefeito de Nanterre, cidade localizada na região metropolitana de Paris, na França, Patrick Jarry, a forma de organização do mundo de hoje está destinada ao fracasso. “Novas cidades devem possibilitar que sejamos cidadãos na nossa rua, no nosso bairro, mas também em toda a cidade, no estado e no país. E não simplesmente garantir o direito à cidade apenas para uma parcela mais rica da população”, ponderou.

Também participaram da abertura o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati (PDT), o reitor do Centro Universitário La Salle, Paulo Fossati, e cerca de 500 pessoas, entre líderes locais dos países participantes do fórum e militantes de movimentos sociais.

Nesta edição, o Falp pretende reunir 1.100 autoridades de 200 cidades e 50 países da América Latina, África, Oriente Médio e Europa. Serão discutidos temas como identidade e multipolaridade, governança e participação, igualdade e políticas de gênero.

Além dos debates políticos, haverá atividades culturais tradicionais dos países participantes e seminários paralelos sobre temas diversos. O evento se encerra na quinta-feira (13), com uma palestra do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O fórum foi idealizado em 2003, durante o processo do Fórum Social Mundial (FSM) e do Fórum de Autoridades Locais pela Inclusão Social e a Democracia Participativa. Propõe a criação de novos paradigmas para o espaço urbano, baseado no estabelecimento de novas centralidades, na solidariedade, na sustentabilidade, na valorização das diferentes culturas, na inclusão social e na defesa dos direitos. Desde então foram realizadas duas edições, a primeira em 2006, na cidade francesa de Nanterre, e a segunda em 2010, em Getafe, na Espanha.

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