Transporte Público

Comandante da PM também participou de agressões, afirma advogado do movimento

Dos manifestantes detidos nos últimos atos contra a tarifa em São Paulo, justiça liberta dois; dez aguardam fiança e cinco permanecem presos

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Cena de ação policial para reprimir manifestação em São Paulo contra aumento da passagem do ônibus

São Paulo – O tenente-coronel Ben Hur Junqueira Neto, que comandou a Polícia Militar durante a ação truculenta contra o ato pela redução das tarifas do transporte público em São Paulo, ontem à noite (13), também teria participado das agressões aos manifestantes, segundo o advogado Bruno Morais, que atua, junto a outros defensores, para libertar da prisão as pessoas presas nos dois últimos atos.

“Houve muita gente agredida ontem na rua, no momento da prisão, inclusive pelo tenente-coronel Ben Hur, que comandou a operação. Queremos responsabilizá-lo civil e criminalmente pelos abusos cometidos. Vamos preparar um dossiê e vamos representá-lo na Corregedoria da PM.”

Morais explica que o Movimento Passe Livre estabeleceu uma articulação com a Defensoria Pública do Estado de São Paulo, que ontem mesmo deslocou alguns membros ao 78º DP para monitorar a situação. “Vamos juntar vídeos, fotos e relatos e tomar as medidas cabíveis”, disse.

Detidos

No exato momento em que a Tropa de Choque lançava bombas de gás lacrimogênio e dispersava a multidão ontem, a Secretaria de Administração Penitenciária finalmente libertava dois manifestantes detidos no protesto anterior, realizado na terça-feira (11). Os jovens de 20 e 26 anos estavam no presídio de Tremembé, em Taubaté, interior do estado, após terem passado pelas carceragens do 1º Distrito Policial, na Liberdade, do 2º Distrito Policial, no Bom Retiro, e do Centro de Detenção Provisória de Belém II, na zona leste.

As quatro transferências em menos de 48 horas dificultaram o trabalho dos advogados. Para colocá-los de volta nas ruas, o MPL havia pago a fiança de R$ 3 mil cada um estipulada pelas autoridades na tarde de quarta-feira (12). No mesmo dia, a Justiça expediu um alvará de soltura, que no entanto não chegou a tempo para liberá-los imediatamente – eles foram transferidos e o documento perdeu a validade. Outro alvará foi elaborado e enviado para Taubaté já na manhã de ontem. Após horas de burocracia, às 18h50 a Secretaria de Administração Penitenciária informava à imprensa sobre a libertação dos manifestantes.

Das 19 pessoas detidas na terça-feira, 11 continuam presas: uma foi enviada para o presídio feminino de Franco da Rocha, na região metropolitana – a jovem foi autuada por dano. Os outros dez, acusados por formação de quadrilha, estavam distribuídos no 2º DP e no presídio de Tremembé. Ontem a justiça arbitrou uma fiança de dois salários mínimos para que deixem a carceragem e respondam ao processo em liberdade. Isso para nove deles. Um preso terá que pagar fiança de R$ 20 mil para sair. Advogados do MPL está representando sete deles, e articulando com movimentos sociais, sindicatos e centros acadêmicos uma arrecadação nacional de recursos para pagar a quantia exigida.

“Estamos recebendo muitas doações, estudantes estão fazendo festas beneficentes e vaquinhas pela internet com o mote: Nossa Solidariedade Não Cabe em Suas Grades”, explica Morais. “Agora estamos correndo contra o tempo e a burocracia para que eles não passem o final de semana atrás das grades.” O protesto de ontem, na região central, deixou um rastro de 232 detidos. A maioria foi presa para averiguação – o que é inconstitucional, de acordo com Morais – e liberada logo em seguida. “As pessoas foram levadas para a delegacia por portar vinagre… É uma arbitrariedade impressionante.” Morais diz também a polícia civil pegou o Facebook de todo mundo que passou pela delegacia.

Apenas quatro pessoas permanecem sob custódia, pois, segundo a polícia, foram flagradas cometendo os crimes de formação de quadrilha, incitação ao crime e dano. Todas estão no 2º DP, no Bom Retiro.

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