Em São Paulo

Sindicato vai pedir que Ministério Público investigue agressões da PM contra jornalistas

Órgão encaminhou documento à Secretaria de Segurança solicitando que garanta integridade física e direito à liberdade de imprensa

Jennifer Glass/Fotos do Ofício
Movimento Passe Livre

Ao todo, 14 jornalistas foram agredidos pela Polícia Militar e três foram presos

São Paulo – O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo vai protocolar pedido no Ministério Público para que o órgão investigue as agressões da Polícia Militar contra os profissionais de imprensa que trabalhavam na cobertura dos dois últimos atos contra o aumento da tarifa do transporte público, realizados ontem (13) e terça-feira (11) em São Paulo.

O sindicato vai finalizar, até o fim do dia, um documento com o número de jornalistas vítimas de agressões policiais. A lista já soma 14 agredidos e três presos, entre eles a repórter da RBA Gisele Brito, que foi golpeada na nuca, nas pernas e no rosto enquanto cobria o evento. O pedido de investigação também será encaminhado para a Corregedoria da Polícia Militar e para a Secretaria de Segurança Pública.

“Encaminhamos um comunicado para a Secretaria de Segurança reivindicando que ela garanta a segurança dos jornalistas durante a cobertura”, disse o presidente do sindicato, José Augusto Camargo. O comunicado foi enviado hoje (14) também para o Tribunal de Justiça de São Paulo, a Ouvidoria das polícias de São Paulo, a Corregedoria das polícias Civil e Militar, os comandos da PM e GCM, o Palácio dos Bandeirantes e a Assembleia Legislativa.

A nota solicita “garantia à integridade física e o direito à liberdade de imprensa aos jornalistas que cobrem o evento para que possam trabalhar sem o ‘risco’ de serem detidos ilegalmente ou constrangidos no exercício da função de informar”. Outro documento semelhante havia sido entregue à Secretaria da Segurança Pública ontem, mas não foi suficiente para impedir as agressões.

O órgão também pretende distribuir adesivos para os jornalistas que forem trabalhar no próximo protesto, marcado para segunda-feira (17), para que eles colem nas roupas e nos equipamentos, facilitando a identificação na multidão.

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) também emitiu uma nota em que “repudia a atitude violenta de policiais militares que, em uma atitude descabida, agrediram” jornalistas que trabalhavam na cobertura das manifestações de São Paulo.

A entidade entrou em contato com a secretaria-geral da Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ) relatando o ocorrido e disse que a associação se colocou à disposição dos jornalistas brasileiros para divulgar os fatos junto às entidades internacionais.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) também divulgou nota na qual informa que foram pelo menos 15 os jornalistas agredidos pela Polícia Militar enquanto trabalhavam durante o protesto de ontem. “Impedir o repórter de realizar seu trabalho é violentar toda a sociedade; é atentar contra a democracia”, diz a nota.

Além da repórter da RBA, foram agredidos ontem o jornalista Piero Locateli, da revista Carta Capital, o repórter cinematográfico do portal Terra Fernando Borges, a repórter da TV Folha Giuliana Vallone – que levou um tiro de bala de borracha no olho, e o repórter Fábio Braga, da Folha Online.

Antes disso, haviam sido detidos e agredidos os profissionais Fernando Mellis, do portal R7, Leandro Machado, repórter da Folha de S. Paulo, e Leandro Morais, repórter-fotográfico do UOL. O repórter do jornal Metro Henrique Beirange foi atingido por um jato de spray de pimenta, e o repórter do Portal Terra Vagner Magalhães levou um golpe de cassetete de um policial militar, enquanto seu colega, o fotógrafo Fernando Borges, também foi detido e ficou preso por 40 minutos. O jornalista Pedro Ribeiro Nogueira, do Portal Aprendiz, permaneceu preso por três dias.