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Truculência policial

‘PM mirava no rosto’, diz cinegrafista da TVT que tomou três tiros durante manifestação

Profissional afirma que, durante o ato de ontem em São Paulo, policiais 'meteram bomba e bala em todo mundo, não queriam saber se era manifestante, civil ou imprensa'
Publicado por Alessandra Goes Alves, RBA
16:16
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Ação policial transformou jornalistas em alvos preferenciais, segundo relatos dos profissionais no local

São Paulo – O cinegrafista César Lucchesi e o repórter Jô Myagui, da TVT, foram alvo de tiros e pedrada durante o ato contra aumento da passagem de ônibus que ocorreu ontem (14) em São Paulo.

O primeiro foi Myagui, atingido na bochecha quando teve início a primeira confusão do ato, na esquina das ruas Consolação e Maria Antônia.

“Estava estourando tanta coisa na hora que eu nem sei o que acertou a minha bochecha, se foi bala ou estilhaço de bomba. Mas foi atirado pela polícia. Foi um ferimento leve, não sangrou, mas ficou inchado. A polícia está totalmente despreparada, sai atirando em qualquer coisa que esteja viva, passando. Estávamos do lado de transeuntes, ônibus e carros parados. Dói mais moralmente do que fisicamente.”

Já Lucchesi foi atingido por três balas de borracha na avenida Angélica, lugar para onde seguiu parte dos manifestantes após a primeira dispersão, com balas de borracha e bombas de gás lacrimogênio lançadas pela polícia.

Segundo o cinegrafista, a equipe da TVT se dividiu e ele seguiu pela Consolação, onde a polícia reiniciou a repressão aos manifestantes.

“O ato começou tranquilo, em frente ao Teatro Municipal. Aconteceram algumas apreensões, mas sem bombas ou balas. Quando teve a dispersão, fui no sentido Consolação, por dentro dos bairros. Na Avenida Angélica, os policiais meteram bomba e bala em todo mundo, não queriam saber se era manifestante, civil ou imprensa. Levei um tiro de bala de borracha na perna, nas costas e no ombro.”

Segundo o cinegrafista, houve sangramento no ombro, que estava desprotegido (sem colete a prova de balas).

“Senti uma dor forte no ombro, mas vi só depois. Não dava para abrir o olho por causa do gás lacrimogêneo. Tentei ir para um lugar onde tinha mais vento, mas tinha muito gás, estava muito ruim para respirar. Só fui ver que tinha levado tiro no ombro depois, quando sai da área.”

Além dos tiros, Lucchesi teve a sua câmera atingida por uma pedra que acredita ter sido lançada por manifestantes quando estava na região do Pacaembu.

A equipe da TVT conversou com o major Lidio Costa Junior, do Policiamento de Trânsito da PM, que afirmou que, em uma reunião, polícia e manifestantes acordaram que o ato terminaria na Praça Roosevelt.

“O major disse que o acordo não foi cumprido e por isso eles entraram em ação, na avenida da Consolação. Os policiais estavam mirando a esmo, dava para ver que eles estavam nervosos, pelo semblante deles. Eles não miravam nas pernas e nas costas, mas na altura do rosto”, diz Lucchesi.

Jornalistas

Os protestos contra o aumento da tarifa de ônibus atingiram jornalistas de diferentes publicações. A repórter da Rede Brasil Atual, Gisele Brito, foi golpeada na nuca enquanto realizava a cobertura jornalística da manifestação. Além dela, foram repórter cinematográfico do portal Terra Fernando Borges, a repórter da TV Folha Giuliana Vallone – que levou um tiro de bala de borracha no olho, e o repórter Fábio Braga, da Folha Online.

Piero Locateli, da revista Carta Capital, foi preso ontem antes do ato começar, acusado de portar vinagre. Antes disso, haviam sido detidos e agredidos os Fernando Mellis, do portal R7, Leandro Machado, repórter da Folha de S. Paulo, e Leandro Morais, repórter-fotográfico do UOL. Pedro Ribeiro Nogueira, do Portal Aprendiz, foi solto hoje (14), após permanecer preso por três dias.

Segundo o presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, José Augusto Camargo, hoje (14) foi feito um pedido solicitando a garantia de segurança aos jornalistas durante a cobertura, O documento foi encaminhado à Secretaria de Segurança Pública, o Palácio dos Bandeirantes, a Assembleia Legislativa, o Tribunal de Justiça de São Paulo, a Ouvidoria das polícias de São Paulo, a Corregedoria das polícias Civil e Militar, os comandos da PM e GCM.

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