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ONG denunciará violência policial no protesto em São Paulo à ONU

Conectas cobra também apuração dos casos de violência pela Corregedoria da Polícia Militar, pelo Ministério Público, pelo prefeito Fernando Haddad (PT) e pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB)
Publicado por Redação RBA
14:45
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Protesto em São Paulo termina em ação truculenta da PM

São Paulo – A organização não governamental Conectas Direitos Humanos informou em nota que irá denunciar a repressão policial aos manifestantes e jornalistas durante o protesto contra o aumento das passagens de ônibus em São Paulo ontem (13) aos relatores da Organização das Nações Unidas (ONU) para a liberdade de expressão e prisões arbitrárias. A entidade também informou que está em contato com redes nacionais e estrangeiras.

Segundo a Conectas, a sociedade exige explicações a respeito da ação e deve cobrar a responsabilização dos envolvidos. “A violenta repressão policial ocorrida ontem em São Paulo contra milhares de cidadãos que protestavam deve ser apurada com urgência e rigor pela Corregedoria da Polícia Militar, pelo Ministério Público e pelas autoridades políticas responsáveis pela ação, notadamente o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad e o governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin”, diz a nota. A entidade também cobra a realização de audiência pública com o secretário de Segurança Pública do estado, Fernando Grella, e com o secretário municipal de Direitos Humanos, Rogério Sottili.

O uso ilegal da força, segundo a ONG, foi desencadeado por uma “ordem política ilegal”, que já tinha como objetivo cercear a liberdade de associação, de manifestação, de livre expressão e de circulação dos manifestantes. A Conectas também chama atenção para o desrespeito à liberdade de expressão exercido na imprensa presente na manifestação, “especialmente quando a polícia deliberadamente dispara munições não letais na direção em que se concentravam os fotógrafos e jornalistas que cobriam os eventos”.

A nota também chama a atenção pela ação do poder público ter ser resumido, basicamente, à repressão e à força policial. “Ao resumir a ação do Estado à simples repressão dos manifestantes, o governo mostrou mais uma vez como enxerga seu papel – de maneira estreita, truculenta e desprovida do menor interesse em equilibrar os imperativos da liberdade e da segurança.”

O quarto protesto contra o aumento das passagens de ônibus acabou com mais de 230 presos, e, segundo o Movimento Passe Livre, organizador das manifestações, mais de 100 feridos. Entre eles, jornalistas e fotógrafos foram atingidos por balas de borrachas e agredidos com cassetetes.

Desde janeiro de 2006, a ONG Conectas tem status consultivo junto à ONU e desde maio de 2009 dispõe de status de observador na Comissão Africana de Direitos Humanos e dos Povos.

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