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Diálogo

MPL vai insistir em reunião só com Haddad

Para integrantes do movimento pela tarifa zero, encontro no Conselho da Cidade, marcado para amanhã, é importante, mas não basta
por Júlia Rabahie, da RBA publicado 17/06/2013 14h04, última modificação 17/06/2013 14h18
Para integrantes do movimento pela tarifa zero, encontro no Conselho da Cidade, marcado para amanhã, é importante, mas não basta
Marcelo D’Sants/Folhapress
Movimento Passe Livre

Os integrantes do Movimento Passe Livre afirmaram que esperam que o ato de hoje seja pacífico

São Paulo – Integrantes do Movimento Passe Livre (MPL) afirmaram hoje (17) que irão insistir em uma reunião só com o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), para discutir a revogação do aumento da passagem de ônibus.

O movimento informou que irá participar amanhã (18) da reunião extraordinária do Conselho das Cidades, esta convocada por Haddad. No entanto, para o Passe Livre, o caráter consultivo do conselho, e não deliberativo, não é ideal para esse tipo de discussão.

“Nossa disposição para dialogar com o poder público é 100%, por isso iremos comparecer amanhã à reunião, mas este é um espaço consultivo apenas, muito amplo. Queremos uma reunião com o prefeito para discutir nossa pauta única, que é a revogação do aumento das passagens”, disse Caio Martins Ferreira, do MPL, em entrevista coletiva realizada hoje (17) no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, no centro da cidade.

Sobre o possível processo de negociação com a prefeitura, os integrantes do movimento afirmaram que não há como debater pontos que não sejam a revogação do aumento, ou mesmo alternativas a ele. “A negociação não pode ser diferente daquilo que as pessoas pedem nas ruas. O que vimos nestes quatro atos foi que a população cansou e pede a revogação do aumento”, afirmou Ferreira.

Revolta popular

Os integrantes do movimento afirmaram que esperam que o ato de hoje seja pacífico, e que os chamados atos de "vandalismo" praticados nas manifestações passadas, como depredação de acessos às estações de metrô, são fruto da violência do Estado.

“Estes atos, pelos quais o movimento não é responsável, fazem parte de uma revolta contra uma violência anterior praticada pelo Estado, por duas vias: a tarifa de R$ 3,20 e a repressão policial que acontece nas manifestações”, comentou Ferreira.

Para ele, os protesto adquiriram o caráter de uma "revolta popular", difícil de ser controlada. “As pessoas estão cansadas de se submeterem a um sistema de transportes bizarro, em que a lógica do transporte individual é valorizada. Acreditamos que a tarifa é um fator que contribui fortemente para a exclusão social.”

Liberdade de profissão

O Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo lançou a campanha “Violência contra jornalista, atentado contra a democracia”, que exige melhores condições de liberdade no exercício da profissão. O sindicato cobrou providências da Secretaria de Segurança Pública, do Tribunal de Justiça de São Paulo, da Ouvidoria das Polícias de São Paulo, da Corregedoria das Polícias Civil e Militar, dos Comandos da PM e GCM, do Palácio dos Bandeirantes e da Assembleia Legislativa, entre outros, exigindo providências.

“Ação repressiva a jornalistas não é algo novo, sempre ocorreu e é uma herança da ditadura. Exigimos que o Estado garanta o direito de trabalho dos jornalistas. O que aconteceu na quinta-feira tem nome: é censura pela violência”, afirmou o presidente do sindicato, José Augusto Camargo.

Na sexta-feira (14), a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) condenou, em nota, a ação da Polícia Militar no protesto de quinta-feira (13) contra os profissionais da imprensa. "É inominável o desrespeito aos direitos humanos, à liberdade de expressão e à liberdade de imprensa que está em prática e se verificou nas ações policiais repressivas ao movimento contra o aumento das passagens de ônibus em São Paulo, principalmente no dia 13 de junho", diz o comunicado.