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Metrô de São Paulo privilegia diálogo com setor imobiliário

Diretores da companhia recomendam que cidadãos usem Lei de Acesso à Informação, mas mantêm convênio com o Secovi
por Gisele Brito, da RBA publicado 06/06/2013 20h41, última modificação 12/06/2013 22h25
Diretores da companhia recomendam que cidadãos usem Lei de Acesso à Informação, mas mantêm convênio com o Secovi
Danilo Ramos/RBA
Danilo Ramos/RBA

Mais de 300 famílias já saíram do Buraco Quente, outras convivem com escombros. Comunidade reclama de falta de diálogo com o Metrô

São Paulo – Diretores da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) e o secretário estadual de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, recomendaram, na tarde de hoje (6), durante audiência pública realizada pelo Ministério Público de São Paulo, em sua sede, na capital, que cidadãos interessados em informações detalhadas sobre a pesquisa Origem Destino (OD), sobre traçados de linhas e impactos das obras sobre comunidades ameaçadas de remoção solicitem os dados por meio da Lei de Acesso à Informação. As mesmas informações, no entanto, serão repassadas ao Secovi, sindicato das empresas do setor imobiliário, por meio de convênio firmado entre a entidade e o Metrô.

No dia 10 de maio, a RBA publicou reportagem em que o então presidente do Metrô, Peter Walker, e o presidente do Secovi, Claudio Bernardes, detalham o projeto. “O intercâmbio de informações e reuniões periódicas para discutir farão com que o desenvolvimento da cidade seja muito mais orientado com o transporte e, com isso, que seja otimizada a questão da mobilidade, o que eu acho um fator extremamente importante”, afirmou Bernardes na ocasião.

Walker chegou a dizer que o Metrô já passa todos os dados necessários, conforme determina a Lei de Acesso à Informação. Ele disse, no entanto, que essas informações são “formais” e ressaltou a importância de diálogo permanente com o setor imobiliário. “O que nós precisamos é de um contato de tempo em tempo, de semana em semana, para que haja um trabalho em conjunto e que essa experiência seja levada para dentro do Metrô”, disse.

Hoje, ao ser questionado sobre a parceria para transmissão das informações, Fernandes negou qualquer tipo de influência do Secovi e garantiu que a iniciativa foi do estado. “Nós queremos que os empreendedores sejam mais cuidadosos ao fazer planejamento e não façam aqueles verdadeiros pombais isolados que não dão acesso a ninguém. Por outro lado, não podem comprar toda as terras lindeiras, fazendo todo ganho de mais valia que o estado faz para o capital privado”, disse Fernandes.

Representantes da favela Paraisópolis, no Morumbi, na zona sul da capital, queixaram-se da falta de diálogo com a população, que aguarda sem informações pelas remoções. “Não existe diálogo continuo, diálogo efetivo com a população”, reclamou a estudante de geografia Ana Maria Souza.

Já entre os moradores das favelas do Comando e Buraco Quente, no Campo Belo, zona sul de São Paulo, a reclamação foi sobre a pressão exercida para que os moradores deixem a comunidade. Reportagens da RBA mostraram o drama pelo qual passam os moradores do Buraco Quente. Mais de 300 famílias já tiveram de deixar suas casas para dar lugar a obras relacionadas à Linha 17 – Ouro após receberem indenizações abaixo do valor de mercado. Outros ainda negociam indenizações enquanto convivem com escombros. “A pressão foi para a gente sair. As pessoas assinaram os termos de adesão voluntariamente, entre aspas. As pessoas estão vivendo o caos”, afirmou Geilson Sampaio, morador do bairro.

O promotor da área de Habitação e Urbanismo do Ministério Público de São Paulo Maurício Ribeiro Lopes comprometeu-se a acompanhar as remoções previstas na expansão da malha, que deve chegar a 278 quilômetros até 2030, e convocou para o dia 14 nova reunião com representantes do Metrô para tratar especificamente sobre o Buraco Quente.

Questionado pelo promotor Maurício Ribeiro Lopes se a pesquisa OD tem informações confidenciais e se é comercializada, o diretor operacional do Metrô, Mario Fioratti Filho, afirmou que o documento está disponível para as universidades que a solicitarem. “Mas é uma pesquisa muito cara. O Metrô arca com essas despesas e precisa dividir os custos." A pesquisa OD foi feita em 2007 e a atualização realizada em 2012 não está disponível para consulta no site da empresa.