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Fúria

No centro de SP, grupo arremete contra prefeitura, destrói veículo de TV e saqueia lojas

Manifestantes queriam ocupar a sede do Executivo, mas foram impedidos pelas grades. Quebradeira se estendeu para bancos e estabelecimentos comerciais. Pacíficos não conseguiram controlar violentos
por Tadeu Breda, da RBA publicado 18/06/2013 23h33, última modificação 19/06/2013 01h15
Manifestantes queriam ocupar a sede do Executivo, mas foram impedidos pelas grades. Quebradeira se estendeu para bancos e estabelecimentos comerciais. Pacíficos não conseguiram controlar violentos

São Paulo – Um dos braços do protesto multitudinário que tomou hoje (18) as ruas de São Paulo pelo segundo dia consecutivo arremeteu toda sua fúria contra o edifício Matarazzo, sede da prefeitura. Os vidros dos cinco portões de entrada do palácio foram quebrados, bem como as janelas frontais e laterais. A fachada recebeu assinaturas características dos pichadores e mensagens contra o aumento da passagem de ônibus – que no último dia 2 passou de R$ 3 para R$ 3,20 e desatou a onda de manifestações que vem tomando a cidade.

Um grupo de manifestantes também usou o spray para deixar mensagens contra o prefeito Fernando Haddad (PT), o governador Geraldo Alckmin (PSDB), a presidenta Dilma Rousseff (PT) e a realização da Copa do Mundo de 2014. Insígnias como “Haddad covarde”, “Fora tucanos”, “Filha Dilma Puta” e “3,20 Copa não” foram impressas no prédio. As bandeiras do Brasil, do estado de São Paulo e da cidade foram arrancadas dos mastros. Um jovem tentou incendiar uma delas, sem sucesso. Um boneco representando Alckmin e Haddad foi queimado.

Após arremeter contra a entrada principal da prefeitura, bem protegida por grades, o grupo tentou arrombar um pequeno acesso lateral. A porta de madeira resistiu às investidas. Como não conseguiram violar a sede da administração municipal, uma parte dos manifestantes passou a atentar contra alvos próximos. Um veículo da TV Record estacionado no local – e que transmitia ao vivo o quebra-quebra – foi  incendiado. Mais tarde, foi a vez de um pequeno posto policial que fica em frente ao prédio arder em chamas.

Em seguida, quem sofreu com a histeria coletiva foi uma agência bancária logo ao lado. Outro banco, localizado na Praça do Patriarca, a poucos metros dali, seria o próximo alvo. A destruição saiu do controle e se estendeu a lojas nos arredores. A reportagem presenciou o saqueio de uma loja de roupas, de celular, de chocolate, de tênis e de aparelhos eletrônicos. Por volta das 21h, era possível ver pessoas mascaradas perambulando pela Rua São Bento com grandes aparelhos de televisão nas costas. O fotógrafo da RBA Danilo Ramos esteve a ponto de ser agredido pelos jovens que promoviam a destruição.

Minoria

A quebradeira, porém, foi obra de uma minoria entre os manifestantes, que permaneceram boa parte da noite em frente à prefeitura exigindo a presença de Fernando Haddad. Enquanto a sede do governo estava sitiada, o prefeito discutia a situação política da cidade em reunião com a presidenta Dilma Rousseff, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do PT, Rui Falcão, e o ministro da Educação, Aloizio Mercadante.

Inicialmente, o protesto que começou por volta das 18h na Praça da Sé se dividiu em dois: uma parte se dirigiu ao terminal do parque Dom Pedro II e outra, à prefeitura. A grande maioria dos manifestantes permaneceu cerca de meia hora em frente ao prédio e partiu rumo à Câmara Municipal, tomando em seguida a direção da Avenida Paulista. Contudo, muita gente resolveu ficar – cerca de 3 mil pessoas.

A sede da prefeitura estava protegida por grades e por homens da Guarda Civil Metropolitana (GCM) em trajes de choque. As barreiras, porém, não demoraram a ser derrubadas. A GCM reagiu ao avanço da multidão com gás pimenta, mas não suportou a pressão e se refugiou dentro do prédio. Dois guardas ficaram feridos. Foi então que um grupo minoritário, mas potente, começou o quebra-quebra.

Enquanto lançavam pedras contra as vidraças do edifício, manifestantes pacíficos formaram um cordão humano para tentar proteger as instalações da administração municipal. Não tiveram sucesso. Um pequeno explosivo foi lançado contra eles, que imediatamente abandonaram o posto. Um senhor ficou ferido e foi levado para um posto médico improvisado na rua lateral. Outros artefatos de baixa potência estouraram antes da chegada da polícia.

Embate

Os gritos de “sem violência”, que preponderaram nas manifestações de segunda-feira (17), na zona sul, desta vez no centro, enfrentaram resistência de insígnias como “sem moralismo”, entoadas pelos partidários da quebradeira. Faltou pouco para que os próprios manifestantes não se engalfinhassem uns contra os outros, numa espécie de disputa dos violentos versus não violentos. Conforme a destruição avançava, as hostes pacíficas foram deixando os arredores da prefeitura.

A polícia apareceu apenas quando os saques já haviam se alastrado. E, quando apareceu, tarde da noite, o fez de maneira pouco usual: com cerca de cinco viaturas cruzando os calçadões a toda velocidade, sem dispersar ninguém. De acordo com a prefeitura, funcionários que estavam no prédio sob ataque ligaram para o 190 às 20h, mas a PM só foi chegar 45 minutos depois. Ainda mais tarde apareceriam homens da Força Tática e da Tropa de Choque. Apesar da confusão, muita gente circulava normalmente pelo centro.

De acordo com a assessoria de imprensa da polícia, cerca de 15 pessoas foram detidas por conta dos saques na região central. Até as 23h, a PM não havia divulgado o número do efetivo deslocado para conter a destruição. Questionado sobre onde estariam disponíveis dados sobre o tamanho do operativo, o policial de plantão respondeu: "É informação estratégica".

A equipe de comunicação da prefeitura soltou nota dizendo que um grupo também tentou invadir o Teatro Municipal que fica próximo do edifício Matarazzo e onde alguns manifestantes ficaram concentrados durante parte da noite. "Cerca de 300 pessoas estão dentro da sala de espetáculo, onde ocorreu a última resta da ópera Rake's Progress, com previsão de término às 22h30", diz o texto.

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