Você está aqui: Página Inicial / Cidadania / 2013 / 05 / Secretário de cultura diz que policiais fizeram 'corpo mole' na Virada Cultural em SP

responsabilidade

Secretário de cultura diz que policiais fizeram 'corpo mole' na Virada Cultural em SP

Evento teve arrastões e uma morte. PMs insatisfeitos com o estado e a prefeitura teriam se omitido
por Gisele Brito, da RBA publicado 28/05/2013 09h07, última modificação 28/05/2013 11h58
Evento teve arrastões e uma morte. PMs insatisfeitos com o estado e a prefeitura teriam se omitido
© Olivia Tesser/Folhapress
PM na Virada Cultural

Policiais militares em serviço durante Virada Cultural paulistana. Apesar do contingente, número de ocorrências violentas foi alto

São Paulo – O secretário municipal de cultura, Juca Ferreira, afirmou ontem à noite (27) que a polícia fez “corpo mole” durante Virada Cultural, evento organizado pela prefeitura de São Paulo no centro da cidade há 15 dias. Durante a madrugada de sábado (18) para domingo (19), houve arrastões e uma pessoa morreu depois de baleada. Vários relatos de vítimas, nas redes sociais, diziam que integrantes da Polícia Militar haviam se omitido durante os ataques.

Até aqui o prefeito Fernando Haddad (PT) e o próprio Ferreira vinham evitando criticar a corporação. Ontem, porém, durante encontro da série Existe Diálogo em SP, desta vez com a comunidade teatral, o secretário foi taxativo.

“A polícia fez corpo mole de fato. Um dos representantes da polícia militar eleito, acho que na Assembleia, disse que houve, de fato, porque a corporação estava descontente com o governador e com o prefeito”, afirmou, referindo-se à Casa dos deputados estaduais paulistas.

Uma das razões do descontentamento seria a remuneração e as condições de trabalho na operação delegada, programa em que policiais – que são de responsabilidade do estado podem se candidatar a trabalhar para a municipalidade durante suas folgas e realizar atividades de funcionários da prefeitura, como fiscalizar a lei do silêncio.

Ferreira tomou o cuidado de não criticar a parceria com o estado, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) ou o comando da corporação. “O ambiente era o mais afável possível. Tinha uma sala de situação montada. O problema é que não tinha disposição de fazer a intervenção”, disse o secretário.

“Não estou dizendo isso para desgastar o governo do estado, a polícia. Pelo contrário. A polícia é uma parceira de todas as atividades, de todos os eventos que fizermos na rua. Nós estamos a mil maravilhas com o governo do estado. Mas nós temos um problema. Houve uma quebra de qualidade do evento por causa do nível de violência."

O secretário defendeu a Virada e afirmou que esse ano o evento teve a melhor preparação de todos os tempos, respeitando tudo que havia sido acumulado desde a sua primeira edição, em 2006, na gestão de José Serra (PSDB). “É preciso fazer um balanço justo. Porque na verdade, foi a melhor programação apresentada até agora. A mais organizada, não teve sujeira, a quantidade de banheiros químicos foi 30% maior que das edições anteriores”, argumentou.

“Teve um assassinato, é grave. Eu não estou querendo minimizar a gravidade do fato. Pelo contrário. Estou querendo dizer que é grave que uma cidade como São Paulo que vai sediar eventos importantes no mundo, tem vocação de ter indústria cultural forte, não garanta atividades culturais na rua. A lógica minha é fazer a crítica a quem não correspondeu. Porque quem trabalhou seriamente, funcionou”, disse.