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Memória

Livro conta a vida de Maurício Grabois, líder da guerrilha do Araguaia

Obra é de autoria da filha do militante comunista morto pelas forças de repressão da ditadura
por Redação da RBA publicado 29/05/2013 12h14, última modificação 29/05/2013 13h33
Obra é de autoria da filha do militante comunista morto pelas forças de repressão da ditadura
CC
Maurício Grabois

O guerrilheiro foi um dos principais dirigentes do Partido Comunista Brasileiro e da Guerrilha do Araguaia

São Paulo – Foi lançado ontem (28) em São Paulo o livro Maurício Grabois: Meu Pai, de autoria de Vitória Grabois, filha do militante morto na Guerrilha do Araguaia e presidente do Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro. A obra conta a história do guerrilheiro que foi um dos principais dirigente do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e comandante das forças guerrilheiras do Araguaia, em 1973.

No livro são abordados relatos inéditos em cartas que Maurício enviava à família durante seus períodos de clandestinidade, além de artigos teóricos escritos pelo militante. Em entrevista à Rádio Brasil Atual, a autora da obra falou sobre as dificuldades em localizar os documentos que usou para escrever a história, já que muita coisa foi destruída pelos militares.

“Não tinha muito material, foi bem complicado para encontrar, mas com o passar do tempo foram aparecendo documentos de suma importância, entre eles, um dos artigos que ele escreveu, que foi o discurso feito no dia da cassação dos parlamentares. Ele discursou como líder da bancada do partido”, contou.

Vitória também perdeu seu marido, Gilberto, e o irmão, André, na guerrilha, e viveu clandestinamente em São Paulo por 16 anos, de 1970 a 1986. “Viver na clandestinidade é algo inenarrável. É claro que a prisão é o limite, a tortura é inimaginável, mas depois que as pessoas passam pela tortura é menos difícil aguentar enclausurada dentro de uma cela que viver clandestinamente, com medo o tempo todo, filho pequeno para criar, sempre com aquele medo da repressão bater à sua porta, de ser presa e morta.”

A autora ainda afirmou que os governos que sucederam os regimes ditatoriais ainda possuem uma grave dívida com a sociedade brasileira. “Fui expulsa da universidade, vivi dos 20 ao 36 anos clandestina, é um período em que as pessoas tem grande florescimento pessoal e profissional, a ditadura me deve isso. Os governos civis que sucederam a ditadura ainda tem grande dívida com a nação e a sociedade brasileira.”

O livro está disponível para vendas na Editora Expressão Popular, na Rua da Abolição, no centro da capital, e também pode ser adquirido pelo site da Hexis Editora.

Ouça aqui a entrevista completa de Vitória Grabois à Rádio Brasil Atual.

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