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Nova oportunidade

Desafio de programa de qualificação é garantir emprego para população de rua em São Paulo

Primeiras turmas do Programa de Qualificação Profissional da População em Situação de Rua começaram segunda-feira
por Rodrigo Gomes, da RBA publicado 22/05/2013 15h16, última modificação 22/05/2013 16h02
Primeiras turmas do Programa de Qualificação Profissional da População em Situação de Rua começaram segunda-feira
Fernando Pereira/SECOM
Haddad e população de rua

Ao lançar o programa, Haddad destacou seu compromisso de melhorar as condições de vida da população de rua

São Paulo – Garantir emprego após a formação é o grande desafio do Programa de Qualificação Profissional da População em Situação de Rua, lançado em março pelo prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT). Os cursos de almoxarife, com 64 alunos, e de eletricista instalador predial, com 32, cujas aulas começaram segunda-feira (20), são os primeiros da programação. A prefeitura pretende inserir 2 mil pessoas no mercado de trabalho até o fim do ano. A participação nos cursos, com duração entre 160 e 200 horas, é gratuita e aberta a todos os moradores de rua.

No dia 3 de junho começa a turma de auxiliar administrativo, também com 64 participantes. A iniciativa é uma parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e com o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), do governo federal. Até o momento, 750 pessoas se inscreveram para participar dos cursos.

Para a responsável pela Coordenadoria da População em Situação de Rua da Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social, Luana Bottini, a preocupação com a empregabilidade deriva de uma lógica social perversa. Ao buscar emprego a pessoa precisa ter um endereço fixo e outras condições muitas vezes só garantidas pela renda do trabalho que ela ainda não tem. “A prefeitura está dialogando com empresários para garantir a empregabilidade dos participantes do programa que vivam em centros de acolhida, albergues ou que tenham antecedentes criminais, por exemplo”, explica Luana.

Os cursos terão duração média de dois meses. Os alunos receberão vale- transporte, alimentação e uma bolsa permanência, no valor de R$ 2 por hora-aula, pago no mês seguinte. O interessado deve procurar um dos 46 postos do Centro de Referência e Assistência Social (Cras) do município, onde será realizada uma avaliação para saber se está preparado para a dinâmica dos cursos.

Segundo Luana, existe a necessidade de avaliar se o cidadão está preparado para a dinâmica dos cursos. “Às vezes, a pessoa em situação de rua precisa de um tempo para se integrar a um espaço com exigências de horário, dedicação e comportamento. Também há problemas com álcool e drogas. Então conversamos com o candidato, expomos a proposta, as exigências e avaliamos com ele se é o momento”, explica. A carga de aulas é de três a quatro horas diárias.

Luana pondera que isso pretende evitar a frustração de uma empreitada incerta, com uma população que já sofre com a situação de exclusão. “Muitas vezes, adiar um pouco o início de uma atividade e se preparar pode fazer a diferença entre uma possível desilusão e o sucesso da tentativa”, observa.

A perspectiva da prefeitura era iniciar cada grupo de formação com 200 alunos, mas ainda faltam ajustes com o Ministério da Educação. Estão sendo programadas turmas para cursos de confeccionador de bolsas em couro e material sintético; confeccionador de bolsas em tecido; mecânico de bicicleta; mecânico de motores a diesel; padeiro; pedreiro de alvenaria estrutural; encanador instalador predial; pintor de imóveis; vidraceiro; e aplicador de revestimento cerâmico.

Outras ações

Além do programa de formação profissional, a prefeitura lançou em março o Comitê Intersetorial da Política da População em Situação de Rua, que cuidará do desenvolvimento de políticas públicas e da articulação de ações das secretarias de Assistência Social, Saúde, Direitos Humanos e Trabalho e Empreendedorismo, entre outras, na condução da atenção municipal à população de rua.

Outra ação é o Família em Foco, que abrigará 17 famílias em situação de risco em um centro de acolhida especial, no Belém, bairro da zona leste. O “Espaço Dom Luciano Mendes” será administrado pela Organização Social Bom Parto e contará com dormitórios, refeitório, cozinha, sala de atendimento técnico, lavanderia e sanitários. As famílias atendidas receberão moradia, alimentação, vaga em creche ou escola e atendimento médico, além da inclusão nos cursos profissionalizantes.

Segundo o censo da população em situação de rua no município de São Paulo, realizado em 2011 pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, cerca de 14 mil pessoas viviam nesta situação na cidade, sendo 55,3% na região central.