Home Cidadania Rojão explode em sede da OAB-RJ; suspeita é de represália política

Rojão explode em sede da OAB-RJ; suspeita é de represália política

Prédio foi evacuado e não houve feridos; a suspeita é de que a explosão seria forma de resistência à Comissão da Verdade do Rio, que começa os trabalhos na segunda-feira (11)
Publicado por Redação da RBA
14:51
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São Paulo – Um rojão explodiu no prédio da Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro (OAB-RJ) ontem (7), por volta das 15h50. A explosão aconteceu entre o oitavo e o nono andar do prédio, sem deixar feridos. A suspeita é de que a bomba teria sido plantada como represália à instalação da Comissão da Verdade do Rio de Janeiro.

A comissão foi aprovada pela Assembleia Legislativa do estado (Alerj) em outubro do ano passado, e será presidida por Wadih Damous, ex-presidente da OAB-RJ. O decreto do governador Sérgio Cabral para a efetiva instalação da Comissão e a divulgação dos nomeados para integrá-la deve sair na segunda-feira (11) no Diário Oficial. 

Segundo a assessoria de imprensa da OAB-RJ, o atual presidente da seccional, Felipe Santa Cruz, teria recebido um telefonema do Corpo de Bombeiros sobre uma denúncia anônima de que três bombas teriam sido plantadas no prédio. Após orientação dos bombeiros, o prédio foi esvaziado, por volta das 16h. Após a denúncia, o Esquadrão Antibombas da Polícia Civil foi chamado. A assessoria informou que, além do artefato que explodiu, mais nada foi encontrado.

A ligação, segundo os bombeiros, foi feita pelo Disque Denúncia, serviço da Secretaria Estadual de Segurança Pública. O autor do telefonema se identificou como “um militar da reserva”, e afirmou que as bombas seriam uma represália aos trabalhos da Comissão da Verdade do Rio, que investigará os crimes de violações aos direitos humanos cometidos no estado durante o período da ditadura (1964-85).

Após ter seu nome apontado para o cargo pelo governador Sérgio Cabral, no final do mês passado, Damous afirmou, em nota, que os trabalhos da Comissão serão “de colaboração à Comissão Nacional da Verdade”, além de ressaltar o empenho que o grupo terá para “desvendar, por meio de testemunhos e documentos, fatos que permanecem obscuros décadas depois de recuperadas as liberdades democráticas”.

A OAB-RJ informou que os fatos serão investigados pela Delegacia Anti Bombas da Polícia Civil do Rio, e que esperará a análise técnica dos artefatos e a investigação para se pronunciar.

Semelhança

Em 1980, um caso parecido, mas com final menos dramático, aconteceu nas dependências da OAB-RJ. Uma carta-bomba endereçada ao então presidente do Conselho Federal da Ordem, Eduardo Seabra Fagundes, matou sua secretária, Lyda Monteiro, que recebeu o envelope. O atentado não foi esclarecido até hoje. Damous afirmou que a missão da comissão estadual será esclarecer este e outros crimes cometidos no período ditatorial.

Ele destacou casos que permaneceram sem esclarecimento ou responsabilização dos culpados, como a morte de Stuart Angel, militante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR8), nas dependências da Aeronáutica em 1971, a morte de sua mãe, Zuzu Angel, em 1976, e de crimes cometidos dentro das chamadas casas de morte, centros de tortura e repressão aos opositores políticos ao regime de exceção.

Repúdio

A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH-PR) e a Comissão Nacional da Verdade (CNV) repudiaram o atentado por meio de notas públicas. A SDH afirmou que “a OAB tem sido um baluarte na defesa de democracia e uma referência para a garantia dos Direitos Humanos no Brasil”, e que o governo federal “seguirá atento e está à disposição para colaborar com o governo do estado do Rio de Janeiro para a identificação dos responsáveis”.

A CNV classificou o episódio como um “tardio ato de terror dos que não querem viver num país democrático”. A comissão afirmou ainda que este tipo de atitude afeta negativamente a todos. “Criando um clima de confronto e desatino, ‘eles’ afetam adversários e a si próprios”, e ainda destacou que “a democracia não se constrói com bombas, nem se sustenta com violência. A coragem de defendê-la deve superar o nosso medo do terror”. 

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