Vannuchi: manifestações contra Yoani Sánchez prejudicam debate de ideias

Para o analista político, manifestações são autoritárias e não contribuem para disputa justa de hegemonia e reconhecimento

Manifestantes protestam contra a visita ao país da dissidente cubana Yoani Sánchez, durante evento em São Paulo (©Paulo Whitaker/Reuters)

São Paulo – O analista político Paulo Vannuchi, em comentário à Rádio Brasil Atual, disse que as manifestações organizadas na semana passada contra a blogueira cubana Yoani Sánchez, nas diversas capitais brasileiras que visitou, não contribuem para uma “disputa de hegemonia legítima”. Para ele, os protestos refletiram uma postura autoritária. “As manifestações não ajudam a reforçar os pontos de vista dos grupos.”

‘Não a deixar lançar um livro e depois jogar dinheiro e chamá-la de mercenária, não é exatamente um debate de ideias”, afirmou o comentarista descrevendo parte do comportamento de militantes favoráveis ao regime de cubana, contra a blogueira dissidente.

Na quinta-feira (21), Yoani encerrou antecipadamente um debate, após ser ruidosamente interrompida por manifestantes na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo. Ela participava do relançamento de seu livro “De Cuba, com carinho”, e faria uma sessão de autógrafos no auditório. As atividades tiveram de ser canceladas.

Em Feira de Santana (BA), os protestos teriam impedido a exibição do documentário “Conexão Cuba x Honduras”, no qual ela é uma das principais entrevistadas.

Vannuchi ainda afirmou que Cuba é um país que pode ser elogiado por “inúmeros aspectos”. “É uma espécie de ilha de resistência e dignidade. Houve grandes avanços na educação, na saúde, na igualdade racial e direitos da mulher.” Porém, ressaltou, o sistema político é de partido único, em que há controle sobre a informação. “Ela [Yoani] é vigiada, perseguida, há controle de internet, ela tinha que ir para hotéis internacionais para conseguir divulgar suas opiniões dissidentes.”

É necessário repensar o processo de como lidar com opiniões dissidentes em Cuba, segundo ele. “A disputa pela hegemonia, pela busca de reconhecimento da maioria da nação por suas ideias de condução política não ganha pontos quando acontecem reações do tipo que foram organizadas contra Yoani.”

Por fim, ele ainda afirmou que “o regime cubano precisa entender que o melhor jeito de enfrentar a questão não é a intolerância”.

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