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Secretaria de Alckmin chama ditadura de “revolução” e defende golpe contra Goulart

por Redação da RBA publicado 27/01/2012 18h01, última modificação 27/01/2012 18h07

São Paulo – A página da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo trata a ditadura, desencadeada em 1964, como a “Revolução” contra o governo constitucional de João Goulart. Uma linha do tempo montada para contar a história das instituições de segurança paulistas não cita a expressão “golpe de Estado” e prefere afirmar que se tratou de uma operação para combater a “política sindicalista” de Goulart.

“Força Pública e Guarda Civil puseram-se solidárias às autoridades e ao povo”, complementa o texto, que fala que a “Revolução” foi desencadeada em 31 de março de 1964 – os militares jamais aceitaram a data de 1º de abril por se tratar do “dia da mentira”. Os episódios que narram o período compreendido pela ditadura (1964-85) falam ainda sobre “incidentes com grupos de guerrilha liderados pelo ex-capitão Carlos Lamarca” em 1970, mesmo ano da criação da Polícia Militar de São Paulo.

A página da secretaria não fala sobre a colaboração entre os órgãos estaduais e federais de repressão. A extensa bibliografia acumulada ao longo da redemocratização mostra que policiais militares trabalharam em parceria com o Exército, que no caso paulista se concentrou na Operação Bandeirante, iniciada em 1969, e que logo se converteria em um plano nacional sob a sigla DOI-Codi, o Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna.

Em 2011, a página da instituição considerada mais agressiva da PM paulista, a Rota, também exibia dizeres elogiosos ao regime militar: “Revolução de 1964, quando participou da derrubada do então Presidente da República João Goulart, apoiando a sociedade e as Forças Armadas, dando início ao regime militar com o Presidente Castelo Branco”. 

À época, o deputado estadual Carlos Giannazi pediu a supressão desta versão, além das expressões relativas à Guerra de Canudos, na qual se dizia que o grupo liderado por Antônio Conselheiro “lutava contra a República”. Após a queixa, o trecho relativo à ditadura foi retirado do ar, mas permanece em evidência a afirmação sobre a batalha desenvolvida na Bahia.