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Prefeitura de São José acusa líderes do Pinheirinho de "dificultar" trabalho em abrigo

por Redação da RBA publicado 30/01/2012 19h35, última modificação 31/01/2012 18h30

Agora sem teto, famílias do Pinheirinho improvisam acomodações em ginásio esportivo de São José (Foto: ©camillabigscore.wordpress)

São Paulo – A prefeitura de São José dos Campos (SP) considera que a situação dos moradores desalojados do Pinheirinho no dia 22 é boa, mas o trabalho nos abrigos é "dificultado" por "lideranças do movimento e de representantes de partidos políticos de oposição". A afirmação consta de nota à imprensa divulgada no início da noite desta segunda-feira (30). O prefeito, Eduardo Cury, é do PSDB.

Segundo a prefeitura, 90% das reivindicações de entidades de direitos humanos foram atendidas desde que parte das 1,7 mil famílias que ocupavam o terreno havia sete anos foi deslocada para ginásios esportivos. Os abrigos são provisórios, conforme ressalta a nota, e exigiram adaptações nas instalações.

Criticada pela truculência contra os moradores da área, ao lado do governo estadual, a administração municipal garante ainda manter serviço de limpeza e manutenção durante 24 horas por dia, oferecer três refeições diárias e suprimentos de higiene aos retirados. Parte das famílias, diz a nota, receberá um auxílio para alugar imóveis. A prefeitura promete cartas de recomendação para facilitar a locação.

Uma audiência pública com participação de outros movimentos sociais estava programada para a noite de segunda-feira (30), às 19h, na Câmara Municipal. No dia 22, policiais militares cumpriram uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo de reintegração de posse em um terreno da massa falida de uma empresa do megaespeculador Naji Nahas. A ocupação durava sete anos e uma negociação entre líderes do movimento e do governo estadual prometia adiar por duas semanas qualquer ação de retirada das famílias.

A ação teve contornos de operação de guerra, com excessos praticados por policiais, segundo moradores e observadores de direitos humanos. Até jornalistas que cobriam a situação foram alvos. A repórter Lúcia Rodrigues, da Rádio Brasil Atual, foi ameaçada por um membro da Guarda Civil Municipal sem identificação, que chegou a fazer disparos contra ela.

O episódio teve repercussões políticas. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), alega que a PM foi cedida para cumprir determinação da Justiça, conforme a lei, e que abusos serão avaliados a partir de imagens gravadas durante a operação. O ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, usou termos como "barbárie" e "terrorismo" para definir a ação policial.