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Para deputado, Alckmin fez manobra de má-fé antes de invadir Pinheirinho

por Conceição Oliveira, do Vi o Mundo publicado 22/01/2012 22h06, última modificação 22/01/2012 22h20

Manifestantes se reúnem na Paulista para protestar contra a ação de reintegração de posse na comunidade Pinheirinho. (Foto: ©Nelson Antoine/Fotoarena/Folhapress)

São Paulo -Tropa de choque de quase 2 mil homens, caveirão, armamento pesado. Com todo esse aparato, começou neste domingo (22), às 6h, a desocupação do Pinheirinho, em São José dos Campos.  Moradores, lideranças e parlamentares  foram totalmente pegos de surpresa.

“O senador Eduardo Suplicy (PT) e o deputado federal Ivan Valente (Psol-SP) estavam dialogando  com o governador Geraldo Alckmin (PSDB), o prefeito Eduardo Cury (PSDB) e proprietário da área, para achar uma solução negociada”, afirma  o deputado estadual Marco Aurélio Souza (PT). “O próprio dono da área havia concordado em aguardar mais 15 dias. Isso tudo foi minuciosamente relatado por Suplicy numa assembleia realizada ontem (sábado, 21), no Pinheirinho. De modo que todo mundo estava tranqüilo.”

Para Marco Aurélio, Alckmin manobrou os parlamentares para desmobilizar os moradores e, aí, fazer a reintegração de posse sem resistência. “Covardia com os moradores, para pegá-los desprevenidos”, acusa.  “Quebra de palavra com parlamentares importantes de São Paulo. ”

O professor Paulo Búfalo, da executiva do  Psol em São Paulo,  está convencido também de que foi uma manobra de má-fé do governador Alckmin. De um lado, negociava, com os parlamentares. De outro, determinava a desapropriação da área, uma ação em conluio com a Justiça de São Paulo: “Todos os relatos que estamos ouvindo aqui, infelizmente, apontam para isso”.

Sobre mortos e feridos os números são desencontrados. Divulgou-se mais cedo sete óbitos. Mas isso não confirmado. “Mesmo as lideranças estão com dificuldade de obter informação”, diz Búfalo. “A tropa de choque fechou todas as entradas e saídas do acampamento. Ninguém sabe direito o que está acontecendo lá dentro.”

O fato é quem quem chega ao Pinheirinho está sendo recebido com bombas, que estão sobrando até para a imprensa e parlamentares. “Eu guardei de ‘lembrança’ os resíduos da que a PM atirou contra mim”, observa o deputado Marco Aurélio. “Se a amanhã (segunda-feira) o governador disser que a reintegração de posse do Pinheirinho foi feita de forma pacífica, eu tenho como provar que é mentira.”

Protesto

Cerca de 500 manifestantes estiveram no fim da tarde do domingo na avenida Paulista, num protesto organizado pelas redes sociais contra a violenta ação de reintegração de posse realizada na comunidade Pinheirinho. A avaliação é da PM, que acompanhou a manifestação sem intervir.

Grupos de direitos humanos, de luta por moradia e demais entidades da sociedade civil organizada, além de parlamentares, prometem mobilizar-se durante a semana para apurar as responsabilidades da invasão do terreno de S. José, além de prestar atendimento aos cerca de 5,5 mil moradores da comunidade.

(Foto: Nelson Antoine/Fotoarena/Folhapress)