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Aos 89 anos, dom Paulo Evaristo Arns vê Brasil na luta pela democracia

Cardeal arcebispo emérito de São Paulo, protagonista da luta contra a ditadura e pelos direitos humanos, faz aniversário nesta terça (14)
por virginiatoledo publicado 14/09/2010 16h02, última modificação 14/09/2010 16h35
Cardeal arcebispo emérito de São Paulo, protagonista da luta contra a ditadura e pelos direitos humanos, faz aniversário nesta terça (14)

São Paulo – Uma das lideranças religiosas mais expressivas do Brasil, dom Paulo Evaristo Arns, completa 89 anos nesta terça-feira (14). O cardeal arcebispo emérito de São Paulo dedicou boa parte de sua vida à defesa dos direitos humanos, especialmente no combate à intransigência do regime militar no Brasil. Arns defendeu ainda líderes sindicais e apoiou a campanha pelas eleições diretas no país, dentro de sua função religiosa.

Dom Paulo vive atualmente na Congregação Franciscana da Ação Pastoral, na cidade de Taboão da Serra (SP), onde ainda dedica sua vida aos estudos teológicos. Segundo dom Pedro Luiz Stringhini, bispo de Franca, ordenado padre por dom Paulo e que acompanha a vida do franciscano, hoje a festa dos 89 anos foi mais especial, pois na celebração do aniversário o cardeal arcebispo emérito de São Paulo comemorou cercado pela família.  

"Às 8h, ele celebrou a missa, como de costume. Depois, com café da manhã e almoço festivos, comemorou ao lado dos familiares e amigos, com muita gratidão pela vida tão abençoada", relata dom Pedro Stringhini.

De vida regrada, pela saúde um pouco frágil, dom Paulo mantém a rotina desde que deixou a Arquidiocese de São Paulo. Todos os dias, ao acordar, faz uma leve caminhada, celebra a missa na Congregação e dedica-se à leitura e ao acompanhamento das notícias nacionais e internacionais. "Ele sempre lembra-se dos tempos difíceis do período militar, tempo do qual foi grande protagonista na defesa dos direitos humanos", conta Stringhini.

"Dom Paulo sempre me diz que espera ver o Brasil no caminho que vem seguindo, na luta pela democracia."

Em 1975, ele celebrou, na Catedral da Sé, a missa de sétimo dia do jornalista Vladimir Herzog, morto pelos órgãos da repressão durante a ditadura. Na ocasião, o então arcebispo de São Paulo causou polêmica por ministrar a cerimônia ao lado de representantes de outras religiões, como o rabino Henry Sobel e o pastor presbiteriano James Wright. O episódio marcou a luta pelo fim da tortura.

Dom Paulo Evaristo Arns é o religioso que mais recebeu prêmios e méritos no Brasil e no exterior. Obteve o título de doutor honoris causa em universidades dos Estados Unidos, Alemanha, Canadá e Holanda; ganhou prêmio do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (1985) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Em 1985, fundou ao lado da irmã, a médica e missionária, Zilda Arns (morta em 2009 no Haiti), a Pastoral da Criança.