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TVT entra no ar com promessa de dar voz aos trabalhadores

Na estreia, Lula afirma que emissora é mais um passo na conquista da democracia; Valter Sanches, que comanda o projeto, promete participação dos espectadores e registro do mundo do trabalho
por João Peres, da RBA publicado 23/08/2010 23h11, última modificação 23/08/2010 23h15
Na estreia, Lula afirma que emissora é mais um passo na conquista da democracia; Valter Sanches, que comanda o projeto, promete participação dos espectadores e registro do mundo do trabalho

Imagens antigas de Lula foram exibidas durante cerimônia que marcou o início das transmissões da TVT, com a presença do presidente (Foto: Domingos Tadeu/PR)

São Bernardo do Campo – Entrou no ar às 18h59 desta segunda-feira (23), um minuto antes do programado, a TVT (TV dos Trabalhadores).

A cerimônia de abertura contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, Franklin Martins, do prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, e do presidente da CUT, Artur Henrique, entre outros.

A emissora, que a princípio terá uma hora e meia de programação inédita de segunda a sexta-feira, dedicando os demais horários a reprises e ao conteúdo da TV Brasil, é uma antiga reivindicação dos metalúrgicos do ABC

A história da TVT, contada na edição 50 da Revista do Brasil, é marcada por sucessivas negativas aos pedidos de concessão de uma frequência.

Em 2009, por fim, os trabalhadores conseguiram ter o pedido atendido. O resultado é a emissora que, como enfatizaram todos os presentes, terá uma programação voltada aos interesses da sociedade.

"Queremos um projeto de comunicação que não seja simplesmente alternativo, mas retrate uma realidade que não está na TV convencional. O mundo do trabalho sequer é retratado na TV", destacou Valter Sanches, diretor de comunicação do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e presidente da Fundação Sociedade Comunicação, Cultura e Trabalho, que dirige o projeto.

Ele enfatizou que a página da emissora na internet terá espaços abertos para a participação dos espectadores, uma tentativa de abrir um canal de diálogo com a sociedade.

A mensagem foi reforçada por vídeos institucionais nos quais, em gravações antigas ou recentes, os metalúrgicos pediam uma televisão que retratasse "a visão do trabalhador, e não a do patrão".

"A estreia da TVT é um dos episódios importantes e simbólicos da história recente da República." Lula

Na mesma mão foi o ministro Franklin Martins, que entende que é fundamental que a TV seja inaugurada em um momento em que a comunicação faz uma transição para uma nova era, na qual deixa de existir uma massa passiva que consome o jornalismo para haver a criação de um público que também é capaz de produzir informação. "Tenho extremo otimismo pelas possibilidades do que se pode fazer."

O presidente Lula também demonstrou entusiasmo. Doador da primeira câmera da TVT, ainda no tempo da ditadura, ele destacou que a inauguração dá um novo vigor à liberdade de imprensa e que o respeito às diferentes vozes é um dos conceitos da democracia plena. "A estreia da TVT é um dos episódios importantes e simbólicos da história recente da República."

Desafios

Os discursos da noite lembraram a longa trajetória da televisão, iniciada na reunião com o então ministro das Comunicações, Antonio Carlos Magalhães, em 1987. Como todos reforçaram, o trecho da Constituição de 1988 que prevê pluralidade nas concessões de televisões, com representações dos diferentes grupos da sociedade, caiu em esquecimento.

Tereza Cruvinel, diretora-presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), responsável pela TV Brasil, ponderou que a televisão aproxima-se de seu sexagésimo aniversário de chegada ao país sem de fato contemplar todas as posições. "É um bem público que serviu apenas à exploração da TV comercial, que deixa de fora de sua grade uma série de conteúdos, uma série de vozes que não se expressam."

O prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, tributou a Lula a conquista dos trabalhadores. "Não se preocupem com a TVT. Não queremos tirar o lugar de absolutamente ninguém. O que queremos é o direito de dar voz a quem constrói este país e muitas vezes  não tem voz", afirmou, sob aplausos.

Para o presidente, apesar da longa trajetória de luta, o que ocorreu nesta segunda-feira foi a parte mais fácil: o difícil será convencer as pessoas de que vale a pena ver a TVT, transformando-a em sinônimo de qualidade.

"Agora temos que provar que valeu a pena lutar 23 anos para ter uma TV (…) Queremos ter conteúdo, queremos ter qualidade e queremos informar o povo com mais isenção do que até agora está sendo informado", destacou Lula.

Com orçamento inicial de R$ 15 milhões para os primeiros três anos, a TVT terá programas inéditos, incluindo um telejornal, de segunda a sexta entre 19h e 20h30. As emissoras próprias em São Paulo (UHF 48) e no Rio de Janeiro (UHF 26) garantirão cobertura às duas regiões metropolitanas.

Além disso, parcerias foram firmadas com canais comunitários para transmissões em TV aberta e a cabo. A sintonia de cada região e a programação podem ser conferidas pelo site da TVT.