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Escolas são orientadas a conter uso de "pulseiras do sexo"

Educadores sugerem que pais acompanhem vida "virtual" de crianças e adolescentes
por suzanavier publicado 09/04/2010 16h29, última modificação 09/04/2010 17h50
Educadores sugerem que pais acompanhem vida "virtual" de crianças e adolescentes

São Paulo - Cidades como Manaus, Sertãozinho, Maringá, Dourados e Londrina já proibiram o uso das pulseiras de silicone coloridas, que ficaram conhecidas como "pulseiras do sexo", nas escolas municipais. O acessório é moda entre os adolescentes e pode ser usada em uma brincadeira em que cada cor representa uma ação que vai de um abraço até relações sexuais.

Na terça-feira (6), a Secretaria Municipal de Educação de Manaus (AM) proibiu o uso das pulseiras nas escolas públicas municipais, como medida preventiva depois que duas adolescentes que usavam os acessórios foram mortas. Mais de 200 mil estudantes serão atingidos pela medida.

Segundo Vicente Nogueira, secretário de Educação da capital amazonense, até agora não foi registrado nenhum caso de agressão nos colégios devido ao uso do acessório. Mas medida foi adotada, segundo ele, porque é importante prevenir problemas futuros.

Sertãozinho (SP) Dourados (MS), Maringá (PR), Navegantes (SC) e Londrina (PR) também proibiram o acessório nas escolas municipais na quarta-feira (7), como forma de prevenção.

A Federação Nacional de Escolas Particulares (Fenep) está recomendando aos pais orientarem as crianças para evitar o uso dos acessórios. "Temos muita preocupação porque muitas crianças utilizavam as pulseiras por uma questão de moda, de combinação só, sem conotação sexual", afirma José Augusto de Mattos Lourenço, presidente da Fenep.

Lourenço acredita que um conjunto de fatores está envolvido na análise da influência das bijuterias. A questão, segundo ele, é agravada pela falta de limite a crianças e adolescentes e à transferência da responsabilidade da educação para as escolas. "A escola está sobrecarregada", argumenta. "O papel de orientar é principalmente dos pais", assinala.

Para o educador, a internet sem controle das famílias também amplia a possibilidade de problemas nesse tipo de situação. "Os pais não sabem o que a criança acessa na internet", critica.

O psicólogo Rodrigo Nejm, diretor de prevenção da ONG Safernet, que combate crimes e violações aos Direitos Humanos na internet, aconselha os pais a conhecer a "vida social na internet", navegando com os filhos pela rede. Um dos problemas, segundo ele, é que os pais acreditam que os filhos estão seguros por estarem dentro de casa. "Os pais precisam compreender que a internet é um espaço público", ensina.

Outra dificuldade para garantir a segurança de crianças e adolescentes é a falta de orientação. "Não adianta proibir; e sexualidade não é só sexo", analisa. Uma das saídas está ligada à urgência de se discutir sexualidade em casa, como parte da educação familiar. "Crianças e jovens precisam entender e respeitar os limites do próprio corpo e das outras pessoas também", elucida.