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Painel em SP debate consumismo infantil

Crianças brasileiras já passam mais tempo em frente à TV do que as americanas, comportamento que gera fortes impactos sociais, ambientais e de saúde
por Fabio M Michel, da RBA publicado 12/03/2010 13h25, última modificação 12/03/2010 13h30
Crianças brasileiras já passam mais tempo em frente à TV do que as americanas, comportamento que gera fortes impactos sociais, ambientais e de saúde

São Paulo - De 16 a 18 de março acontece na capital paulista a terceira edição do Fórum Internacional Criança e Consumo, promovido pelo Instituto Alana, entidade que atua para despertar a consciência crítica em relação a práticas de consumo de produtos e serviços por crianças e adolescentes. Bienal, o evento foi realizado pela primeira vez em 2006, discutindo os impactos negativos da mercantilização da infância.

Segundo o próprio instituto, desta vez o fórum pretende aprofundar o debate, propondo uma reflexão mais ampla sobre o hiperconsumismo, em especial o infantil, e suas consequências ambientais, econômicas e sociais. O roteiro das mesas-redondas também prevê a discussão sobre a influência da redução das brincadeiras criativas no desenvolvimento das crianças, em uma sociedade que privilegia cada vez mais as modalidades eletrônicas de entretenimento.

Os debates deste 3º Fórum serão divididos em três temas: Honrar a Infância, Refletir o Consumo e Brincar, respectivamente nos dias 16, 17 e 18, sempre a partir das 18h, no Itaú Cultural.

Da primeira mesa, cuja proposta é discutir a importância da proteção dos direitos da criança e o poder transformador das futuras gerações, participam, entre outros a historiadora Mary Del Priore, que falará sobre a história da infância no Brasil, e o coordenador da área de Comunicação e Informação do escritório brasileiro da Unesco, Guilherme Canela. A psicóloga Cenise Monte Vicente trata da responsabilidade do Estado, da sociedade, da família e da comunidade no respeito aos direitos da criança.

O tema do segundo dia de conferências é Refletir o Consumo e terá a presença do Diretor Executivo do Greenpeace no Brasil, Marcelo Furtado. "As crianças de hoje herdarão os resultados das nossas opções e das nossas omissões", diz, sobre a necessidade de rever os padrões atuais de produção e consumo, tidas como principais causadoras das mudanças climáticas planetárias atualmente em curso.

Neste mesmo dia, a mesa ainda será constituida pelo frade dominicano e assessor de diversos movimentos sociais Frei Betto e do teórico político Benjamin Barber, autor de "Consumido: Como o Mercado Corrompe Crianças, Infantiliza Adultos e Engole Cidadãos."

Presente em todas as edições anteriores do Fórum Internacional Criança e Consumo, a psicóloga, escritora e artista de fantoches Susan Linn - autora de "Crianças do Consumo" - volta a São Paulo, agora para reforçar a importância das brincadeiras criativas como "base da aprendizagem e do desenvolvimento da capacidade de tornar a vida significativa", segundo afirmou à organização do evento.

O painel do terceiro dia, Brincar, é complementado pela coordenadora do Programa de Educação do UNICEF no Brasil, Maria de Salete Silva, pela vice-presidente do Instituto Brincante, Maria Amélia Pereira, e mediado pelo coordenador geral da ONG 'Doutores da Alegria', Wellington Nogueira.

Esgotado

As inscrições para acompanhar as conferências no auditório já foram encerradas, mas toda a programação do fórum será transmitida ao vivo, pela internet, em versões bilíngues (português e inglês). Para acessar, clique em http://www.forumcec.org.br, lembrando que os debates se iniciam às 18h.

Ana Lúcia Villela, presidente do Instituto Alana, conta que os debates compõem um dos projetos da entidade para contribuir com a formação de cidadãos capazes de resistir aos apelos do mercado, de consumo sem motivação real, gerando impactos de diversos aspectos.

"É importante reconhecer que os pais não são os únicos responsáveis pelos filhos que não param de pedir produtos vistos na tevê, que são obesos, sexualmente precoces ou com comportamentos violentos. As empresas e as agências de publicidade são grandemente responsáveis também, por investirem sem escrúpulos no mercado infantil, procurando a vulnerabilidade de cada faixa etária da infância e adolescência para criar consumidores fiéis: as crianças de consumo."

Razões para a preocupação não faltam. Segundo o Painel Nacional de Televisão do Ibope, em 2005 o Brasil ficou em primeiro lugar – à frente dos Estados Unidos – na quantidade de tempo em que as crianças ficam diante do televisor. Naquele ano, passaram em média a ver diariamente 4 horas, 51 minutos e 19 segundos em média, ficando vulneráveis a uma programação reconhecidamente de baixa qualidade, além de anúncios de produtos de toda natureza, muitas vezes de conteúdo inadequado para suas idades.

"Nossas crianças ficam mais tempo diante da televisão do que convivendo com sua família ou na escola", alerta a pedadoga.