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Desigualdade entre raças diminui gradualmente, aponta Dieese

Redução da desigualdade entre negros e não negros no mercado de trabalho é representativa de um futuro com mais igualdade, apontou estudo do órgão
Publicado por suzanavier
17:07
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Resultados de um estudo do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), divulgado na quarta-feira (18), apontam que as disparidades entre negros e brancos no mercado de trabalho caíram gradualmente entre 2004 e 2008. 

Para o estudo, o Dieese utilizou dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), da Região Metropolitana de São Paulo, que representa quase 20 milhões de pessoas.

A pesquisa aponta queda na taxa de desemprego da população negra em idade ativa e redução da desigualdade entre negros (negros e pardos) e não negros (brancos e amarelos).

De acordo com o órgão, também cresceu a participação dos trabalhadores negros em postos de direção, gerência e planejamento, ao mesmo tempo que caiu em tarefas de execução.

A escolaridade da população negra aumentou de 2004 a 2008, o que repercutiu no crescimento do rendimento médio real dos negros, que passou de 53,1% (em 2004) para 56,3% (2008) do valor dos não negros.

Segundo o estudo, a inserção de trabalhadores negros no trabalho doméstico caiu e o número de ocupados nos setores de serviços e construção civil cresceu.

Desigualdades persistem

Entretanto, a pesquisa também demonstra que apesar de representar 36,6% da população economicamente ativa, os negros representam 43,7% dos desempregados.

Os trabalhadores negros tendem a entrar mais cedo no mercado de trabalho e a permanecer por mais tempo trabalhando. Mas, não desfrutam dos benefícios do trabalho como os trabalhadores não negros. O que pode ser verificado, por exemplo, pelo total da massa de rendimentos que ainda é distribuída de forma desigual. Os trabalhadores negros respondem por 23,8%, da massa de rendimentos.

De acordo com o Dieese, a mulher negra detém os resultados mais desfavoráveis no mercado de trabalho, participando com 8,7% da massa de rendimentos do trabalho, enquanto a não negra fica com 26,6%.

A redução gradual da desigualdade entre negros e não negros no mercado de trabalho, ainda que esteja só no começo, é bastante representativa de um futuro com mais igualdade, aponta o estudo. “Tais mudanças ainda que paulatinas são importantes para um extenso processo em direção à redução de diferenciais tão profundos, que refletem as condições extremamente desfavoráveis dos negros na sociedade e, mais especificamente, no mercado de trabalho”, diz trecho do estudo.

Otimismo

Para Maria Júlia Nogueira, Secretária Nacional de Combate ao Racismo da Central Única dos Trabalhadores (CUT), a autoestima da população negra começa a se elevar. “Há todo uma organização de trabalhadores e trabalhadoras, um processo de conscientização de que os negros são cidadãos na plenitude dos seus direitos”, discursa.

Para Maria Júlia, a pesquisa do Dieese demonstra a importância da organização do movimento negro. “Fica evidente que a mobilização tem sido capaz de garantir mudanças”. “Se fosse para aguardar apenas a iniciativa do estado, levaria muito tempo para ocorrer”, afirma.

Ela cita que iniciativas governamentais também têm sido importantes para mudar a realidade. “A criação da Seppir, todas as políticas afirmativas que vêm sendo debatidas e desenvolvidas, combinadas com essa pressão e anseio da população negra, começam a frutificar”, avalia.

Preconceito velado

A grande dificuldade para vencer o preconceito, explica a dirigente sindical, passa pelo falso mito de democracia racial, construído no Brasil. “Na prática se constata que não existe democracia racial no Brasil coisa nenhuma. Os negros saíram das senzalas para os porões, para os fundos das casas. Então ainda existe muito preconceito”.

Entre recuos e avanços, Maria Júlia acredita que a batalha diária para vencer o preconceito e conquistar igualdade de oportunidades é cada vez maior, com resultados muito positivos. “Nós estamos conseguindo avançar e espero que consigamos cada dia mais. Um Brasil igualitário é nosso desejo e nossa luta, porque se a gente não acreditar que é possível mudar e construir… então, o que vamos fazer?”, questiona.