Da infância pobre ao mestrado na Europa

Brasileiro que vai estudar na Itália descreve como programas de apoio a jovens carentes podem mudar a vida e o futuro de crianças e adolescentes

Diego Bergamini vai mudar para a Itália em setembro (Foto: Arquivo pessoal)

“Sou a prova viva de que projetos sociais podem mudar a vida de crianças e jovens”, revela o curitibano Diego Bergamini. Aos 24 anos, ele está de malas prontas para a Itália, onde vai fazer mestrado no curso classificado como a quarta melhor especialização em marketing do mundo. Ele deixou um emprego de coordenador de trade marketing em uma multinacional para ingressar no mestrado.

Em meio aos preparativos para a viagem, marcada para 10 de setembro, Diego concedeu entrevista à Rede Brasil Atual. “Vou para a Itália, mas se eu passar na Kellogg (School of Management, considerada a melhor do setor), ou Harvard, eu mudo para os Estados Unidos”, explica.

A história de Diego seria a de um garoto pobre de Curitiba (PR), mas ela começou a mudar quando sua mãe foi procurada pelo Instituto Bom Aluno do Brasil (Ibab). “Eu tinha 10 anos quando minha mãe recebeu uma carta para eu participar das provas. Fomos até o Ibab, mas não tínhamos a menor ideia da extensão e da importância do que ia acontecer”, ressalta.

O projeto Bom Aluno, do Ibab, garantiu material escolar, uniforme, aulas de reforço de português, matemática e inglês a Diego, da quinta à oitava série. E ao final do ensino fundamental, o programa custeou um curso preparatório para o ensino médio.

No ensino médio, ele passou a estudar numa escola particular com bolsa patrocinada pelo Ibab e pela escola. Também por meio do instituto, o jovem estudou inglês durante cinco anos, fez cursos de redação e preparação para o vestibular. “Houve acompanhamento pedagógico ao longo de todo o período”, destaca. “A cada dois meses minha mãe era chamada para ser informada sobre meu desempenho.”

Diego conseguiu passar no vestibular da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e cursou Administração Internacional de Negócios. Nesse período, por intermédio do instituto, fez curso de espanhol e de desenvolvimento de perfil profissional. 

Após a formatura, o estudante também teve financiamento para treinamentos personalizados, fez curso de marketing pessoal e de administração financeira pessoal. “Eu já perdi a conta dos cursos que eles me proporcionaram. Houve um grande suporte de toda uma equipe para o meu desenvolvimento pessoal, acadêmico e profissional”, ressalta.

Para Diego, o auxílio de um programa de desenvolvimento de jovens transformou seu futuro. “Pessoas à minha volta não tiveram o mesmo suporte e a mesma oportunidade que eu tive, e creio que em consequência disso também não tiveram um bom desenvolvimento profissional”.

Depois de cursar o mestrado, Diego quer retornar ao Brasil e ingressar na carreira acadêmica. “Penso que pela educação posso transformar a vida de muitas pessoas, como fizeram com a minha. Quero trabalhar na formação de líderes contemporâneos, voltados para o bem-estar das pessoas”, conclui.

Transformação social

O Ibab, cujo financiamento e acompanhamento educacional garantiu os estudos de Diego, atende atualmente mil jovens de baixa renda, da rede pública de ensino, em cinco estados. O projeto garante os estudos dos participantes da quinta série à universidade e 20% têm acesso inclusive à vivência internacional.

Site do Ibab

Para participar, as crianças precisam fazer uma seleção, comprovar bom desempenho escolar, frequência de 90% às aulas e renda máxima de um salário mínimo por pessoa da família. “Em média, nossos alunos têm renda per capita de meio salário mínimo”, informou a psicóloga do projeto, Tanielle Andretta Pereira.

Apoio à família

Os pais das crianças e jovens atendidos também recebem orientação. De acordo com a psicóloga, 80% das famílias de crianças atendidas pelo Ibab têm novo direcionamento com as orientações do programa e a vivência proporcionada aos filhos.

Em contrapartida ao apoio educacional e profissional que recebem, os estudantes atendidos assumem o compromisso de manter um bom desempenho escolar e, quando formados, de auxiliarem a entidade na orientação de outras pessoas.

Tanielle destaca a história de uma médica que mora em São Paulo, passou pelo Ibab, e hoje é madrinha de uma criança. Segundo ela, Diego também dá atenção especial ao projeto, com palestras e aulas de reforço para as crianças.

As ações do projeto podem ser medidas também pelo número de aprovações no vestibular: “Cem por cento dos alunos participantes são aprovados nas melhores universidades e 40% têm conseguido os três primeiros lugares na UFPR. Em geral, são os primeiros de suas famílias a cursar uma universidade”, resumiu Tanielle.

Centro de excelência

Finalista do prêmio de tecnologia social da Fundação Banco do Brasil, o Ibab prepara-se para lançar um centro de excelência para alunos superdotados no mês de outubro. “Oito por cento dos alunos do programa Bom aluno são superdotados e terão uma assistência diferenciada”, afirmou a psicóloga.

Exemplo disso é o aluno do instituto Guilherme Cardoso de Souza. Com 13 anos, foi aprovado em primeiro lugar no curso de química da UFPR. O jovem vai entrar para o livro dos recordes brasileiros como o mais novo universitário do país e já está escrevendo um livro para ensinar química para alunos do ensino médio.

Mais informações sobre a atuação do Ibab no site da instituição.

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