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Pesquisa vai detectar ensino de questões étnico-raciais

A pedido do MEC e da Unesco, levantamento vai fomentar definição de políticas públicas para atender à lei que prevê disciplinas de história da África e culturas afro-brasileiras
por João Peres, da RBA publicado 17/06/2009 18h42, última modificação 19/06/2009 13h00
A pedido do MEC e da Unesco, levantamento vai fomentar definição de políticas públicas para atender à lei que prevê disciplinas de história da África e culturas afro-brasileiras

Educadores começam nas próximas semanas a percorrer todo o país em busca de práticas pedagógicas que trabalhem a questão étnico-racial dentro da sala de aula. A intenção é detectar iniciativas interessantes e que podem ser levadas a outras escolas no que diz respeito ao cumprimento da Lei 10.639 de 2003, sancionada no mesmo ano pelo presidente Lula e que estabelece a obrigatoriedade do ensino de história da África e das culturas afro-brasileiras.

Inicialmente, secretários estaduais de educação e os secretários municipais das capitais estão respondendo a questionários sobre como as questões são tratadas nas redes públicas de ensino. Foram detectados também 150 municípios que já trabalham a questão de alguma maneira.

A professora Nilma Lino Gomes, da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e coordenadora da pesquisa, explica que o levantamento é muito importante porque no momento não se tem uma ideia de como está a situação. “A intenção é dar visibilidade ao que já está sendo feito antes da lei. E considerando que práticas já existiam de iniciativas individuais, de pequenos coletivos. Em nível nacional, isso é algo que a gente precisa ter para avaliar a implementação da lei em política pública, ver avanços, limites e mais: dar visibilidade a essas práticas e sociabiliza-las”, afirma a integrante do Programa de Ações Afirmativas da UFMG. 

Em algumas escolas, a existência de práticas pedagógicas contemplando temas étnico-raciais não é uma política da instituição, mas uma iniciativa isolada de um professor. Nilma Lino Gomes considera que, em Belo Horizonte, há dois casos interessantes que já trabalham a questão como parte do plano pedagógico. Em uma delas, há um docente tido como referência no assunto que fica circulando pelas classes para ver como os temas estão sendo desenvolvidos na literatura, no teatro, nas discussões com os alunos.

Na fase posterior à resposta e à análise dos questionários, os responsáveis pela pesquisa partem a campo para dar fomento a políticas públicas que tornem o debate e o ensino de temas étnico-raciais algo presente em toda a rede de ensino. O Ministério da Educação e a Unesco vão receber também um banco de dados com informações coletadas ao longo do levantamento.

“A negação do racismo, o mito da democracia racial, uma predominância muito forte do ideal de branqueamento existe no país e isso se reflete na educação. A sociedade brasileira entrou recentemente em outra configuração e isso pode sinalizar que a gente tenha mais avanços hoje. Mas pode ser que a gente detecte também que a mudança do imaginário racial é muito mais lenta do que a gente imagina”, afirma a professora.

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