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Ministério Público do ES confirma que vai recorrer da absolvição de policiais

Em entrevista à Rede Brasil Atual, Procurador Geral de Justiça do Espírito Santo afirma que MP buscou a condenação dos acusados de matar Pedro Nacort durante todo o tempo
por João Peres, da RBA publicado 02/06/2009 16h41, última modificação 02/06/2009 16h42
Em entrevista à Rede Brasil Atual, Procurador Geral de Justiça do Espírito Santo afirma que MP buscou a condenação dos acusados de matar Pedro Nacort durante todo o tempo

O Procurador Geral de Justiça do Espírito Santo, Fernando Zardini, confirmou que está tudo encaminhado para recorrer da decisão tomada na última sexta-feira (29) em júri popular. Foram absolvidos os policiais militares Erivelton de Souza Pereira, conhecido como "Diabo Loiro", e Jeferson Zambalde Torezanie por falta de provas do crime cometido em 1999 na região central de Vitória.

Revoltada com a decisão, Maria das Graças Nacort, mãe da vítima, fez uma greve de fome em frente ao Ministério Público Estadual. Ela, que também preside a Associação de Mães e Familiares de Vítimas da Violência no Espírito Santo (Amafase), foi demovida da ideia de seguir adiante com o protesto por Fernando Zardini, que explicou que os promotores estão buscando de maneira incessante a condenação dos réus. 

Dizendo-se humilhada, a presidente da Amafase afirmou à reportagem que não encontra uma explicação para a absolvição: “como pode um processo em que tem a arma do crime, que foi apreendida na casa do motorista da viatura, o promotor fez a apreensão na casa dele, teve perícia mostrando que o calibre era o mesmo dos projetéis do corpo do meu filho, e os jurados absolvem por falta de prova?”.

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O assistente de acusação Clóvis Lisboa considera que o tempo transcorrido entre o crime e o surgimento de provas foi decisivo para o resultado. “A prova [a arma usada por um dos policiais] ficou sob desconfiança porque foi encontrada quatro anos e meio depois da morte. Isso gerou dúvida, na dúvida, o júri absolve”.

Lembrando que boa parte da investigação foi conduzida por empenho da mãe da vítima, Clóvis Lisboa defende que o caso seja federalizado porque há um “problema sério na condução dos poderes aqui no estado. Eles estão entrelaçados”. O procurador Fernando Zardini não acredita que seja necessário esse tipo de medida porque há o trabalho do Ministério Público pela condenação.

Durante o julgamento, mais de dez policiais estiveram no fórum, o que, na visão de Maria das Graças, foi uma tentativa de amedrontar os jurados.

 

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