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Araguaia: Familiares na busca é questão de transparência, diz Vannuchi

Na busca de corpos de mortos na Guerrilha do Araguaia, ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos afirma que limites colocados à participação de parentes pode manter a insegurança do país caso os resultados sejam insuficientes
por Gilson Monteiro, Jornal Brasil Atual publicado 30/06/2009 10h32, última modificação 30/06/2009 10h35
Na busca de corpos de mortos na Guerrilha do Araguaia, ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos afirma que limites colocados à participação de parentes pode manter a insegurança do país caso os resultados sejam insuficientes

Para Vannuchi, "se terminar, em outubro, o desfecho com não-localização de corpos ou localização de um número irrelevante, o país permanecerá em dúvida" (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

O ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos Paulo Vannuchi afirma que participação de familiares nas buscas por guerrilheiros é essencial para a transparência das expedições. Na semana passada o presidente Lula já havia admitido haver divergência de opiniões entre os responsáveis pelas pastas de Justiça e Direitos Humanos sobre a participação dos familiares na busca de corpos dos guerrilheiros do Araguaia.

Durante um seminário na segunda-feira (29), antes mesmo da reunião, o ministro Paulo Vannuchi já alertava que, na conversa que teria, faria de tudo para convencer que não haverá idoneidade nas expedições se todas as partes interessadas não puderem participar. Atualmente, a única proposta de participação de familiares é como observadores.

"Na medida em que se fala 'a comissão existe', e não convido, (ou) só convido como observador mas não pode participar de nenhuma definição sobre ela, você impediu transparência", lamenta. "Se terminar, em outubro, o desfecho com não-localização de corpos ou localização de um número irrelevante, o país permanecerá em dúvida sobre isso, em insegurança", completa.

O ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos afirmou não questionar o comando militar, mas lamentou a escolha do responsável pela operação. "O que disse que lamento é a coincidência de esse general de bridada, no dia 31 de março último (...), em que sempre recobre de uma preocupação com bloqueios ideológicos, Guerra Fria na cabeça", detalha.

"Guerra Fria acabou, o discurso do comunismo ameaçando o Brasil presente na fala de um general é uma coisa que nos deixa preocupados e lamentando sobretudo pelo sentido de o Brasil ser de lei, de Constituição, em que as pessoas divergem em partidos político diferentes e não mais por preconceitos fóbicos como era o período da Guerra Fria", pontua.

Segundo o ministro Paulo Vanucchi afirmou que os cerca de 18 meses que ainda restam ao governo Lula serão mais do que suficientes para dar a atenção que o tema merece.

Para ele, ações como o lançamento dos livros Direito à Memória e à Verdade, em agosto de 2007 e Memórias Reveladas, de maio deste ano, e a portaria ministerial que determina que arquivos do período da ditadura sejam integrados ao arquivo nacional, já demostram o interesse no esclarecimento dos casos.