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Além das cotas, é preciso um padrão de beleza diferente

Lideranças do movimento negro defendem o termo de ajustamento de conduta firmado entre o MP e a São Paulo Fashion Week, mas defendem a criação de um padrão de beleza brasileiro, considerando a proporção de pessoas afrodescendentes
por Gilson Monteiro, Jornal Brasil Atual publicado 26/05/2009 10h35, última modificação 26/05/2009 10h40
Lideranças do movimento negro defendem o termo de ajustamento de conduta firmado entre o MP e a São Paulo Fashion Week, mas defendem a criação de um padrão de beleza brasileiro, considerando a proporção de pessoas afrodescendentes

Pelo menos 10% dos modelos em desfiles devem ser negros, afrodescendentes ou indígenas (Foto: Agência Fotosite/Divulgação SPFW)

Acordo abre espaço para maior participação de negros e índios no maior evento de moda do Brasil e causa polêmica. Termo de Ajustamento de Conduta fechado entre o Ministério Público e os organizadores da São Paulo Fashion Week na semana passada, a partir de agora, pelo menos 10% dos modelos que vierem a passear pelas passarelas deverão ser negros, afrodescendentes ou indígenas.

O objetivo é estimular a igualdade racial entre modelos que desfilam na São Paulo Fashion Week. Para Sandra Mariano, da Coordenação de Entidades Negras, a novidade serve para reforçar o que se busca há muito tempo em termos de igualdade. “A cota é uma medida para que as pessoas se sensibilizem e não precisemos usar dessas armas ou ações para poder falar que o negro tem que estar inserido em qualquer espaço”, declarou.

A proposta já gera polêmica. Diversas grifes já demonstraram descontentamento com a medida. Entre os termos está a obrigação do envio de um documento, em até 30 dias após os desfiles, que comprovará que os termos do acordo foram cumpridos. Se não respeitar qualquer das cláusulas dispostas no termo, os organizadores da São Paulo Fashion Week poderão pagar uma multa de R$ 250 mil.

Novo padrão de beleza

O coordenador da Comissão Nacional contra a Discriminação Racial da CUT, Marcos Benedito, aprova o acordo. “Essa medida do Ministério Público pode contribuir efetivamente para que superemos essa dificuldade”, sustenta. “Obviamente tem de haver um trabalho de conscientização, de reeducação, no sentido de mostrar para a população que o padrão de beleza europeu não serve para o Brasil, a partir do momento em que a população afrodescentente já é maioria e temos de estabelecer um outro padrão de beleza”, lembra.

Segundo Marcos Benedito, pesquisas recentes indicam que a partir de 2010 a população negra será a maioria no Brasil. O estabelecimento de contas para negros em escolas e no trabalho é um dos pontos que ainda causam polêmica.

A proposta consta do projeto de lei que cria o Estatuto da Igualdade Racial e está para ser votado na Câmara dos Deputados. Dentre outras questões, o texto estabelece que filmes e programas de televisão deverão destinar, pelo menos 20% do elenco a atores e figurantes negros.

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