Economia global

O que o ‘Plano Biden’ pode ensinar aos neoliberais no Brasil

Com forte investimento público, governo Biden pretende atualizar a infraestrutura dos Estados Unidos, revitalizar a manufatura, desenvolver pesquisas científicas e fortalecer cadeias de abastecimento

Reprodução/Twitter
disse que o pacote é uma forma de criar “a economia mais forte, mais resistente e inovadora do mundo”

São Paulo – Os Estados Unidos devem passar por uma mudança que pode alterar a cara do capitalismo mundial. O presidente do país, Joe Biden, anunciou um pacote de investimentos estatais de 2,2 trilhões de dólares.

A expectativa é de que esta seja apenas a primeira parte de um plano maior, que ainda terá investimentos voltados para a área de saúde e, especialmente, da pesquisa científica.

O investimento deve ser executado ao longo de oito anos. Para financiar o projeto, a intenção de Biden é elevar o imposto das empresas de 21% para 28%. Além da elevação de impostos, que será a principal fonte de recursos, o presidente norte-americano também pretende adotar medidas destinadas a impedir o deslocamento de lucros para outros países. A ideia é incentivar as empresas a manter suas operações nos Estados Unidos e, consequentemente, elevar a arrecadação em território nacional.

Esse pacote vai investir cerca de 1% do PIB por ano ao longo de oito anos para atualizar a infraestrutura dos Estados Unidos, revitalizar a manufatura, investir em pesquisas científicas e fortalecer cadeias de abastecimento.

Biden fez o anúncio em sindicato de trabalhadores em Pittsburgh, sua cidade natal. Ele disse que o pacote é uma forma de criar “a economia mais forte, mais resistente e inovadora do mundo”, além de “milhões de empregos bem remunerados”.

E o que isso pode significar para o mundo? Será um New Deal para mudar a cara do capitalismo? E quais as possíveis repercussões para o Brasil, que possui um teto de gastos no orçamento é uma economia fragilizada?
Para falar sobre o pacote de Joe Biden, O Planeta Azul organizou um debate com o presidente do Conselho Federal de Economia, Antonio Correa de Lacerda, e o jornalista e economista José Paulo Kupfer.

Segundo Kupfer, uma das maiores travas do teto de gastos brasileiro é não seguir o ciclo político, que seria de 5 a 6 anos. Além disso, nas legislações de outras nações o teto de gastos não é em detrimento do investimento público. No Brasil, sim. O investimento dentro das limitações teto é uma incompreensão de como funciona a economia de um país, diz Kupfer. Por isso, uma reforma tributária é tão necessária. Para Antônio Correia de Lacerda, nenhuma proposta de reforma atual contempla os temas realmente necessários.

Os dois economistas concordam que, diferente de exemplos usados comumente, o Estado não pode ser comparado a uma empresa ou uma família, para quem faz sentido cortar gastos durante uma crise. O governo pode e deve gastar.

O teto de gastos é, na prática, um programa de redução do tamanho do Estado, que faz com que ele opere menos em áreas previstas na Constituição, abrindo espaço para o setor privado.

A necessidade de uma reforma urgente no sistema tributário brasileiro foi o ponto comum dos dois economistas. A reforma serviria para corrigir distorções que fazem pessoas com menor renda pagar, comparativamente, mais impostos do que as pessoas de renda mais alta.

Confira a íntegra do programa