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Concurso de estatal de MG cita mensalão do PT e esquece o tucano

Prova de seleção para Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) inclui temas negativos para petistas e vitimiza Aécio Neves. Mas não traz nenhuma questão envolvendo corrupção dos tucanos
por Helena Stephanowitz publicado 12/06/2014 15h03, última modificação 14/06/2014 18h08
Prova de seleção para Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) inclui temas negativos para petistas e vitimiza Aécio Neves. Mas não traz nenhuma questão envolvendo corrupção dos tucanos
José Cruz/Agência Brasil
Azeredo

Questões sobre o porquê da renúncia do deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG) não entraram na prova marota

O candidato à presidência Aécio Neves (PSDB) tem feito uma verdadeira “perseguição” a internautas que ousem fazer criticas contra ele nas redes sociais. Para Aécio, há uma “quadrilha” organizada a difamá-lo.

Na quarta-feira (11), em processo movido por Aécio – que corre sob sigilo na justiça –, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro realizou diligência na residência da jornalista Rebeca Mafra, do Canal Brasil (que faz parte dos canais pagos Globosat), e apreendeu computador, celular, discos rígidos, CDs e pendrives. Rebeca nega que tenha ligação com os perfis falsos que publicaram ofensas na internet ao candidato tucano.

No mesmo dia, o MPE fluminense também cumpriu mandado de busca e apreensão no prédio da Eletrobrás, apontado por Aécio como outra fonte das críticas. O órgão informou que não pode especificar quantas diligências foram realizadas e quantas estão por realizar, para não atrapalhar a investigação

As redes sociais são, de fato, um ambiente cada vez mais efervescente para troca de informações, que vão de discussões e debates abertos e assinados a baixarias e ataques anônimos. O ex-presidente Lula, por exemplo, é alvo constante de xingamentos e acusações e acusações contra ele e contra sua família. Lembremos ainda que, na eleição passada, o jornal Folha de S.Paulo publicou ficha falsa da presidenta Dilma, que apesar de falsa, passou a depois de circular em e-mails apócrifos em redes sociais. Nem Lula, nem Dilma passaram a usar Justiça como ferramenta de censura, tampouco perseguiram ou perseguem quem usa de ataques raivosos contra eles.

No caso de Rebeca Mafra, no entanto, a perseguição é ainda mais descabida. A jornalista exibiu suas páginas em redes sociais para as autoridades para mostrar que não tem nada a ver como peixe. Assista à reportagem da TVT.

Pesos e pizzas

Enquanto o candidato Aécio Neves promove caça às bruxas aos adversários de ideologia política contrária a dele, matéria de O Estado de S. Paulo informa que, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) faz ataques à presidenta Dilma e ao PT, visando exclusivamente promover a candidatura do mineiro.

De acordo com a publicação do Estadão, uma prova aplicada no domingo passado durante um concurso da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) continha questões sobre a eleição presidencial, o mensalão do PT e a CPI da Petrobras. No exame da estatal mineira – comandada pelo PSDB – uma das opções de resposta sobre o “Volta, Lula” citava um “o ataque violento de Dilma ao seu adversário mais próximo: Aécio Neves”.

Aécio é o candidato do PSDB à Presidência, faz campanha antecipada sem ser incomodado, e governou o Minas por dois mandatos, de janeiro de 2003 a maio de 2010. Com a desincompatibilização de Antonio Anastasia (PSDB), que vai disputar uma vaga no Senado, o vice-governador Alberto Pinto Coelho (PP), aliado do senador tucano, assumiu.

A questão 32 da prova perguntava sobre “a estratégia para acabar com a intensa movimentação pelo ‘Volta Lula’ nas últimas semanas de maio”. Entre as respostas, os candidatos podiam escolher “o ataque violento de Dilma ao seu adversário mais próximo – Aécio Neves – levando a um aumento dos índices da presidente nas pesquisas eleitorais”. Pelo gabarito oficial, a resposta correta é “a dobradinha Lula-Dilma para fortalecer a candidatura da presidente e afastar de vez o coro pela volta do ex-presidente como candidato no lugar de Dilma”.

Já a questão 34 aborda a “razão” da criação da CPI da Petrobras – sem especificar se abordava a comissão mista ou a criada no Senado. A resposta correta é “a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, no governo Lula”.

A questão 37 trata do julgamento do mensalão, aparentemente com uma incorreção: “De acordo com as decisões jurídicas no caso da PEC 37, podemos classificar como núcleo financeiro do mensalão”, questiona. Além das opções “governo brasileiro” e “BNDES”, também havia opção dos bancos HSBC e Rural – a correta, conforme o gabarito.

A Proposta de Emenda Constitucional 37 proibia o Ministério Público de fazer investigações, que seriam restritas às polícias Civil e Federal, mas o texto foi rejeitado pelo Congresso. Já o mensalão foi tratado na Ação Penal 470, que tramitou no Supremo Tribunal Federal.

Como se pode notar, a falta de escrúpulo para favorecer Aécio não tem limite.

E à Copasa faltou acrescentar na prova a seguinte questão: sobre o Ministério Público de Minas Gerais ter desistido de uma ação de improbidade administrativa movida na Justiça contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG), acusado de maquiar a aplicação de cerca de R$ 3,3 bilhões em saúde entre 2003 e 2008, período em que era governador. Com isso, o processo contra Aécio foi extinto sem análise do mérito no último dia 29 pela Justiça de Minas.

A desistência de processar o ex-governador partiu do chefe do Ministério Público local, o procurador-geral de Justiça Carlos Bittencourt, que desautorizou a ação movida pela Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde.

Aécio foi acusado de improbidade por, segundo a Promotoria, ter maquiado a aplicação de recursos na saúde para atingir o percentual mínimo exigido por lei, de aplicar 12% da arrecadação na saúde. A ex-contadora geral do Estado Maria da Conceição Barros de Rezende também era ré no processo.

Na ação inicial, consta que a gestão de Aécio declarou ter repassado recursos para a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) investir em saneamento, apesar de não ter sido identificada nenhuma transferência de recurso para esse fim. O dinheiro, contudo, foi contabilizado pelo governo como gastos na saúde pública, de acordo com a apuração conduzida desde 2007 pela promotora Josely Pontes.

Resumo da ópera: para os inimigos, cadeia. Para os tucanos, pizza.

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