Diário do Bolso

Uma frase acabou sendo o meu jeito de governar

“Quem peidei? Não sei quem fui!” De vez em quando faço isso na reunião ministerial. O Ricardo Salles até chora de tanto rir

Fabio Rodrigues Pozzebom / ABr

Diário, quando eu era criança, a melhor piada do mundo era entrar no quarto dos meus irmãos, soltar um peido bem fedido, esperar o pessoal sentir o cheiro e dizer: “Quem peidei? Não sei quem fui!”.

De vez em quando faço isso na reunião ministerial. O Ricardo Salles até chora de tanto rir.

Mas essa frase acabou sendo o meu jeito de governar.

Por exemplo, nesse negócio de covid aí, eu falei pra ir pra rua, pra não usar máscara, que a cloroquina curava tudo e até dei mão melequenta pras pessoas. Mas, digo que a culpa da doença é dos governadores e prefeitos, porque o STF não me deixou fazer nada.

No caso do Renda Brasil, disse que ia dar cartão vermelho pra quem tocasse no assunto. Mas foi o meu próprio posto Ipiranga que está falando no projeto há meses. E ele não ia fazer nada se eu não desse o aval.

Fiz a mesma coisa com a gasolina. Disse que a culpa do preço alto era dos governadores, que não queriam baixar o ICMS.

No caso do arroz, botei a culpa era dos empresários.

E, no veto ao perdão da dívida das igrejas, vetei mas disse que, seu eu fosse deputado, vetava o veto.

Essa é a minha tática, Diário. Faço a coisa, faço de conta que não sei quem fez, mas fui eu quem fiz.

Complicado, né?

O melhor jeito de explicar é usando aquele ditado mesmo:

Quem peidei? Não sei quem fui!

#diariodobolso