DIÁRIO DO BOLSO

Passamos a Itália! Ninguém segura esse Brasil! Quer saúde? Vai pra Cuba

Ontem morreram mil quatrocentos e tantos brasileiros. Recorde! E eu continuo sem ministro da Saúde

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As mortes ficam em letra bem pequenininha

Eu não sou diarista, mas estou todo dia com você, Diário.

E hoje, para dar uma relaxada, só vou falar de coisa sem importância.

Ontem morreram mil quatrocentos e tantos brasileiros. Recorde! E pelo terceiro dia seguido. Já são mais de 34.000 defuntos e mais de 600.000 casos. Passamos a Itália! Ninguém segura esse Brasil!

Aliás, ninguém mesmo, que eu continuo sem ministro da Saúde. E pra quê eu vou querer um ministro de verdade lá? Pro cara seguir o protocolo da OMS? Não mesmo! Quer médico? Vai pra Cuba!

Eu sou mais do otimismo que do remédio, Diário. Por isso, agora, no site do ministério da Saúde, a gente destaca os curados. As mortes ficam em letra bem pequenininha. Tem que ter pensamento positivo, pô!

O Osmar Terra é um bom exemplo: disse que ia ter só 800 mortos e a covid acabava em abril. Errou, mas o importante é a postura.

Olha, Diário, no tocante ao isolamento, ganhei essa queda de braço. Os governadores tão me imitando. Quem continuar com isolamento vai ficar isolado. Até o Dória já liberou uma abertura. No bom sentido, kkk!

Concessionária, por exemplo, vai funcionar. E tá certo, porque assim o cara compra um carro novo, não precisa mais andar de ônibus e não pega covid.

O melhor é que agora ninguém vai poder botar a culpa só em mim. O Carluxo até escreveu hoje que a culpa das mortes pela covid é dos estados. Aliás, tirei 83 milhões do Bolsa Família para botar em publicidade. Tem que espalhar essa ideia aí.

Diário, preciso lembrar de mandar um abraço para a senhora Corte Real (belo nome!), a patroa da mãe da criança que caiu do prédio. O garoto morreu, mas é o destino de todo mundo. O que que eu posso fazer? Não sou coveiro.

Eu tenho pena é da patroa, que vai ter que gastar uma nota em calmante. E que culpa ela tem? É a mesma coisa que dizer que eu tenho alguma coisa a ver com as mortes da covid só porque dou meus rolezinhos de domingo. Pô, vai pra rua quem quer. Eu só boto dentro do elevador.

E, se alguém vier me encher o saco, mando chupar um picolé de cloroquina, talkei?

Falando em chupar picolé, deixo aqui um conselho para o Dia dos Namorados: arranje alguém que cuide de você como o Aras cuida de mim.


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