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Trezentos dias de governo, diário! E pro Bolso, nada? Tudo!

Mas nesses trezentos dias o que eu mais fiz foi xingar. Xinguei os governadores nordestinos de paraíbas, xinguei o Inpe e o IBGE de mentirosos, xinguei a mulher do Macron de feia, xinguei o Witzel e o Doria, xinguei a Globo e a Folha, e xinguei o meu próprio partido de tudo quanto é nome. Em compensação, disse “I love you pro Trump”
Publicado por Paulo Donizetti de Souza, da RBA
18:31
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via @diáriodobolso

Já no tocante às crianças, mandei embora todo mundo que brigou com o Carluxo, quase arranjei emprego de embaixador para o Dudu, e o meu amigo Toffoli parou aquele processo que ia pegar o Flávio

Canta comigo, Diário: “Parabéns para mim, nesta data querida, muitas felicidades, trezentos dias de vida! Pro Bolso, nada! Tudo!”

Trezentos dias, Diário! Hoje é meu aniversário de trezentos dias de presidência!

Dos cem primeiros eu nem vou falar, porque até já fiz um livro sobre eles. Mas vou fazer um resumo do centésimo-um até agora.

Pra começar, liberei uma carrada de agrotóxicos. O pessoal de esquerda enche o saco pela liberação da maconha. Pois eu liberei coisa bem mais forte, tipo o Captain 500 WP, que deve ter esse nome em minha homenagem, porque mata tudo mesmo.

Uma coisa ruim foi que teve uns vira-casacas que começaram a me criticar, tipo Lobão, Marco Antonio Villa, Danilo Gentilli, Xerazade, Alexandre Frota, Joice Hellmanns, Witzel, Doria, Major Olímpio e Nando Moura. Pô, eu faço tudo o que eu prometi e os caras me abandonam? Não dá para entender.

Uma coisa que eu gostei foi que eu bati um recorde! O de desmatamento. Só nos 15 primeiros dias de maio foram 6.880 hectares. Verde, pra mim, só o Palmeiras, kkkk!

Olha, Diário, por mim, eu enterrava o Ibama de uma vez. Mas, se ainda não matei, pelo menos deixei paralítico. Agora todo mundo lá só fica em volta do cafezinho, sem fazer nada. E despedi o cara que me multou lá em Angra, quando eu era deputado.

Falando em demissão, mandei embora todos os onze peritos de Prevenção e Combate à Tortura, acabei com um monte de cargo na Secretaria Especial de Saúde Indígena, dei cartão vermelho pro general Santos Cruz (porque ele brigou com o Olavo), pro general Franklimberg de Freitas, da Funai (porque ele gostava de índio), pro general Juarez de Paula Cunha, presidente dos Correios (porque ele criticou a privatização), e pro Levy (porque trabalhou com o PT).

Outra coisa boa que fiz nesse tempo foi viajar. Meu passaporte tá carimbadão. Fui pro Chile, pra Argentina (duas vezes, porque lá tem churrasco), voltei pros EUA, fui para o Japão fazer propaganda de bijuteria de nióbio, fui pra China (que eu disse que é um país capitalista) e fui pra Arábia, onde fiz uma reunião sem tradutor (espero que eu não tenha vendido o Brasil).

No tocante às crianças em geral, eu defendi o trabalho infantil e fiz um projeto para acabar com a cadeirinha do banco de trás.

Já no tocante às minhas crianças, eu mandei embora todo mundo que brigou com o Carluxo, quase arranjei um emprego de embaixador para o Dudu, e o meu amigo Toffoli parou aquele processo que ia pegar o Flávio só por causa de umas rachadinhas. Fui um paizão ou não fui?

Diário, um negócio que eu gostei foi me misturar com o povo. Vi um jogo do Flamengo com o Moro, participei da Marcha para Jesus (fiz até arminha) e fui na final da Copa América. Aliás, lá no Maracanã eu levei a maior vaia da minha vida. E tava todo mundo de camisa amarela. Não entendi isso direito até agora.

Mas nesses trezentos dias o que eu mais fiz foi xingar. Xinguei os governadores nordestinos de paraíbas, xinguei o Inpe e o IBGE de mentirosos, xinguei a mulher do Macron de feia, xinguei o Witzel e o Doria, xinguei a Globo e a Folha, e xinguei o meu próprio partido de tudo quanto é nome. Em compensação, disse “I love you pro Trump”.

Acho que o mais importante que eu fiz foi aprovar a reforma da Previdência. Agora só cadáver é que vai se aposentar, kkk!

Ou talvez o que eu tenha feito de mais importante tenha sido dizer que as pessoas têm que fazer cocô dia sim, dia não.

Isso é que são palavras de estadista!

Viva eu!


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