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François Ozon comprova, em 'Dentro de Casa', a magia das boas histórias

por guibryan1 publicado 29/01/2013 16h23

Um professor de Literatura, Germain (Fabrice Luchini), e seu tímido aluno Claude Garcia (Ernst Umhauer), observam o que ocorre no interior de uma série de apartamentos de um mesmo edifício, durante a noite, numa explícita referência ao clássico Janela Indiscreta, de Alfred Hitchcock. Essa é a cena que encerra o belíssimo Dentro de Casa, do cineasta francês François Ozon e que chega aos cinemas brasileiros nesta sexta-feira (1º). O leitor pode estar se questionando, por que se começar uma resenha justamente com a última cena do filme. A razão é que ela pouco revela da narrativa extremamente envolvente criada pelo cineasta e que envolve o espectador da primeira a última cena de maneira avassaladora, com um retrato bastante ácido e fulminante da atual sociedade classe média europeia, tratando de temas universais como amizade, fidelidade, ética, confiança, roubo e inveja.

O filme começa com o tal professor de Literatura bastante infeliz com a pouca qualidade do texto de seus alunos quando encontra uma redação escrita justamente por Claude, que narra, de modo bastante invasivo, crítico e ferino, o que se passa dentro da casa de um de seus colegas de escola. A partir daí, a história toma rumos surpreendentes. Há que se destacar aqui a ótima atuação de Kristin Scott Thomas, como a esposa de Germain, Jeanne, que cuida de uma galeria de arte com peças pornográficas; e de Emmanuelle Seigner, a desiludida dona de casa, mãe de Rapha Artole (Bastien Ughetto) e esposa do esportista e homem de negócios Rapha pai (Denis Ménochet).

Pode não ser o melhor filme do cineasta francês, apontado como um dos mais importantes jovens realizadores do país, pertencentes à denominada “New Wave”, e certamente não será tão conhecido quanto o badalado 8 Mulheres, estrelado por Catherine Deneuve, Fanny Ardant, Isabelle Huppert e Emmanuelle Béart, mesmo tendo vencido o Festival de San Sebastián, na Espanha, no final de 2012. Mas, com seus movimentos de câmera, que funcionam quase como um balé, a fotografia sempre privilegiando os tons mais claros, e uma montagem vibrante, Dentro de Casa, que é baseado na peça de teatro O rapaz da última fila, de Juan Mayorga, comprova que o importante num filme, muito mais do que a qualidade técnica, é a força da narrativa audiovisual, em que os elementos funcionam em conjunto de modo a envolver o espectador e levá-lo a refletir a respeito de sua própria realidade.

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