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Alvinho Lancellotti confirma talento para renovar o samba

por guibryan1 publicado 11/12/2012 16h04, última modificação 11/12/2012 16h05

O cantor e compositor carioca Alvinho Lancellotti chega ao segundo álbum, “O tempo faz a gente ter esses encantos”, demonstrando porque é um dos mais aclamados artistas da nova geração alternativa da música do Rio de Janeiro. Filho do compositor sambista Ivor Lancellotti e irmão do baterista Domenico, que atualmente faz parte da banda de apoio da cantora Gal Costa, Alvinho se destacou como integrante do grupo Fino Coletivo e mantém o mesmo clima ensolarado, mas, ao mesmo tempo, delicado e doce do álbum de estreia, “Copacabana”, de 2010.

A proposta fica explícita logo na primeira faixa, “Sexta-feira”, que conta com músicos de primeiríssimas como Davi Moraes (guitarra), Pedro Costa (cavaquinho, bandolim e violão), Daniel Medeiros (cavaquinho) e Adriano Sampaio (surdo, moringas e atabaque): “É beleza / Boa gente encontrar / Contagia ver o povo dançar / Sexta-feira, dia de se enfeitar”. O clima segue no samba-rock, que remete ao Jorge Ben dos anos 60, “Alegria da gente”: “Dia a dia despertando sob a luz do sol / Dia a dia de maré mansa ou de vendaval / Mantendo a harmonia / Evoluindo no jeito de andar a vida”. 

O samba mais irresistível do álbum é “Vidigal”, que conta com a presença do irmão Domenico, no tamborim, o coro encantador de Guidi Vieira e Laura Lagub, e a fantástica introdução com as crianças no pátio do colégio Bennett: “No alto do morro pertinho do céu / Fica o morro do chapéu / Canta galo e a santa marta um manto / de azul nascendo lá no céu / do outro lado azul de céu e sal / é o chão e o teto, vidigal”. Mas “Gira de Caboclo” também é sensacional, remetendo um pouco ao clima de candomblé e aos afrosambas de Baden Powell e Vinicius de Moraes: “Jurema / vem chegando seu pena vermelha / tem caboclo de todas aldeias / de licença para Tupinambá”.

Nesse clima tão intimista, mas, ao mesmo tempo, ensolarado, a cantiga de ninar “É de mamãe” entra com perfeição, assim como a romântica “Meu bloco de amor”, onde a voz rouca de Alvinho Lancellotti se encaixa de maneira bastante delicada com a flauta de Dudu Oliveira, o violão resposta de Pedro Costa e o surdo, os estalos manuais e os bocais de Adriano Sampaio. 

A doce “Antena” é uma parceria dos irmãos Alvinho e Domenico, e encanta pela levada que remete a um clima praiano dos anos 70, com artistas como Pepeu Gomes e A Cor do Som. Não é à toa a presença de Davi Moraes nas guitarras. “Nessa antena coração / Posso ver a transmissão do seu pensamento”, canta. E “Vazio” ganha uma profundidade principalmente em função da presença dos cellos de Mará e do ganzá, surdo, agogô. Cowbel, bongô e caixa de Adriano Sampaio.

Em “Autoajuda”, retorna o samba de quadra, com o tantã, fósforo, ovinho, copo e apito do mesmo Adriano Sampaio, o violão nylon, o cavaquinho e o bandolim dobro de Pedro Costa e as guitarras de Davi Moraes: “Se as coisas não vão bem / Não invente / Desocupe a mente / Bote a bola para frente / Parte do psicologicamente inteligente / Deixe o corpo relaxado e respire novamente”.

Ela abre espaço para a arrebatadora “São Tomé”, que encerra o álbum em grande estilo, comprovando que, no caso de Alvinho Lancellotti, o tempo só parece mesmo deixá-lo com ainda mais encantos e atributos suficientes para poder ser apontado como um dos nomes mais importantes do atual cenário musical do Rio de Janeiro e, por que não?, brasileiro.

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