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Ruy Guerra dirige texto de James Joyce sobre triângulo amoroso

por guibryan1 publicado 03/10/2012 16h22

A temática do triângulo amoroso é bastante comum na literatura e também no cinema e na televisão. Basta lembrar, por exemplo, da dupla Jules (Oskar Werner) e Jim (Henri Serre) que se apaixonam por Catherine (Jeanne Moreau), no clássico da Nouvelle Vague, “Jules et Jim – Uma Mulher Para Dois”, dirigido por François Truffaut, em 1962. Ou a dupla Juba (Kadu Moliterno) e Lula (André de Biase), que compartilham vidas e aventuras ao lado da jornalista Zelda Scott (Andréa Beltrão), no seriado brasileiro “Armação Ilimitada”. Essa também é a temática do ótimo espetáculo “Os Exilados”, que mostra o escritor Richard Rowan (André Garolli) e o jornalista Robert Hand (Álamo Facó), ambos apaixonados por Bertha (Franciely Freduzeski), e está em sua última semana de encenações no Teatro Nair Bello, em São Paulo.

O texto escrito pelo dramaturgo e romancista irlandês James Joyce tem um quê de autobiográfico e se passa em Dublin, na Irlanda, no início de 1912. O alterego dele seria Richard Rowan, muitíssimo bem interpretado por André Garolli, que retorna de um exílio na Europa, com a esposa, a avançada Bertha (a ótima Franciely Freduzeski), e reencontra um amigo marcante do passado, Robert Hand, numa atuação impactante de Álamo Facó, que mantém uma paixão secreta pela mulher do amigo.

Por trás desse conflito amoroso, há uma forte discussão a respeito de ciúme e do que separa amor de amizade e fidelidade. Aparece também uma ácida crítica aos costumes e convenções do início do século XX, e também à situação econômica e política da Irlanda com relação ao restante do continente e à Grã-Bretanha.

Essa é a primeira peça de James Joyce e conta agora com direção e adaptação do cineasta, poeta, dramaturgo e professor Ruy Guerra, o moçambicano mais brasileiro que existe, pois vive aqui desde 1958 e se tornou um dos mestres do Cinema Novo, com obras-primas como “Os Cafajestes”, de 1962; e “Os Fuzis”, de 1964. O primeiro trabalho no teatro foi o texto da peça “Calabar, o Elogio da Traição”, escrita com Chico Buarque, em 1973. De Chico Buarque, aliás, ele dirigiu no cinema o musical “Ópera do Malandro”, de 1985. Também dirigiu as peças “Trivial Simples” e “Fábrica de Chocolate”, ambas na virada dos anos 70 para os 80.

Em “Os Exilados”, Ruy Guerra parece ter sido fundamental na concepção cênica e no encontro do tom, junto com os atores, que o texto de James Joyce pedia, além de um cuidado primoroso na adaptação no sentido de não deixá-lo datado, mas, sim, estabelecendo um diálogo importante e direto com a sociedade contemporânea. Afinal, temas como ciúme, amizade, amor, fidelidade e homossexualidade são eternos.

Serviço
Peça Os Exilados – sábado, às 21h, e domingo, às 18h. Até 07/10
Ingressos: R$50
Teatro Nair Bello – Shopping Frei Caneca – Rua Frei Caneca, 569. 3º andar
T: (11) 3472-2414

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