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Maria Luisa Mendonça brilha e se consagra em "A Falecida"

por guibryan1 publicado 22/07/2012 12h20

Maria Luisa Mendonça e Rodrigo Fregnan, em A Falecida, montagem à altura da verve de Nelson Rodrigues, em cartaz em SP(©João Caldas Fº/Divulgação)

São raros os momentos em que uma atriz está tão bem que a plateia não aguenta de êxtase e a aplaude entusiasmadamente durante o espetáculo. É o que acontece com Maria Luisa Mendonça, que, certamente, teria conquistado também o dramaturgo, cronista, romancista e jornalista Nelson Rodrigues, cujo centenário de nascimento se completa em 23 de agosto, na nova montagem de “A Falecida”, em cartaz no Teatro do SESI, em São Paulo.

A peça começa com parte do elenco sentado em duas arquibancadas, posicionadas em ambas as laterais do palco, como se fossem torcedores de Vasco e Fluminense, fruto da concepção cênica e de adereços do mestre J. C. Serroni. Entre eles, está o desempregado Tuninho (Rodrigo Fregnan), que é torcedor fanático do Vasco e casado com Zulmira (Maria Luisa Mendonça). Na cena seguinte, ela aparece no palco consultando uma cartomante, que lhe garante, gaiatamente, que uma mulher loira atrapalhará sua vida. Zulmira a associa imediatamente com a prima Glorinha, que nunca aparece e a qual garante não lhe dirigir mais a palavra.

Com toda a verve que só Nelson Rodrigues conseguia inserir no teatro brasileiro, ao tratar de temas como a infidelidade no casamento, o espetáculo toma rumos inesperados, numa ácida e contundente crítica à sociedade carioca das décadas de 1950 e 1960, mas que permanece extremamente atual até hoje.

Desse modo, se, em junho de 1953, “A Falecida” se tornou um marco, ao ser montada pela Companhia Dramática Nacional, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, e estrelada por Sergio Cardoso e Sônia Oiticica, agora não será diferente – a obra também ganhou uma versão cinematográfica premiadíssima, dirigida por Leon Hirszman, com roteiro dele e do documentarista Eduardo Coutinho, e estrelada por Fernanda Montenegro, em 1965.

Enquanto Tuninho aguarda com ansiedade a decisão do campeonato carioca de futebol, do seu idolatrado Vasco, contra o rival Fluminense (time do coração de Nelson Rodrigues), ele acompanha a esposa se definhar e ser tomada pela loucura, em função da paranoia que as palavras da cartomante despertaram nela. E a loucura chega a tal estágio, que já próximo do final, Zulmira, ciente da própria morte, deseja ter um enterro que faça inveja à prima e, num ato de desespero, pede ao marido para que procure o próprio amante, um homem bastante rico.

Entremeando essa narrativa, aparece a enigmática Sobrenatural de Almeida (Lívia Ziotti) e um necrotério suburbano, onde três rapazes sonham em conseguir vender todos os produtos para um enterro luxuoso, que nunca acontece. Um deles é Timbira, muito bem interpretado por Willians Mezzacapa, conhecido por ser mulherengo e ter paixões avassaladoras, porém bastante efêmeras. A mais recente é por Zulmira, que lhe procura sondando como poderia realizar o sepultamento mais caro de todos para uma suposta amiga.

Valendo-se de maneira magistral de imagens projetadas num telão, a peça possui como um de seus momentos mais marcantes Zulmira diante de duas imagens – no lado esquerdo, uma imagem religiosa, e no lado direito, o escudo do Vasco. Outro momento digno de lembrança é quando Zulmira mostra-se desesperada e Maria Luisa Mendonça é aplaudida pela plateia. Ela ficará em cartaz até 2 de setembro e, depois dessa data, será substituída pela atriz Lucélia Santos.

“A Falecida”, atualmente em cartaz no Teatro do SESI, em São Paulo, é, portanto, uma homenagem à altura da imensa importância de Nelson Rodrigues para o teatro brasileiro. E com direção assinada por um dos maiores conhecedores da obra do dramaturgo, Marco Antônio Braz.

 

Serviço
Peça "A Falecida" – Quinta, sexta e sábado, às 20h30, e domingo, às 20h. Até 2/12
Ingressos – Quinta e sexta, gratuitos. Sábado e domingo, R$10
Teatro do SESI-SP – Avenida Paulista, 1313. T: (11) 3146-7405 / 7406
Ver programação completa em www.sesisp.org.br/cultura

 

 

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