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Cantor carioca Cícero comanda baile de máscaras no paulistano Hotel Cambridge

por guibryan1 publicado 13/07/2012 16h32

Considerado uma revelação da nova Música Popular Brasileira, o cantor carioca Cícero Lins, de 25 anos (foto), formou-se em Direito e dedicou três anos a um estágio na Defensoria Pública do Rio de Janeiro, até resolver se dedicar à música e chamar atenção no ano passado na internet com o álbum de estreia “Canções de apartamento”, que pode ser baixado gratuitamente em www.cicero.net.br.

O repertório será apresentado ao vivo nesse sábado, 14 de julho, durante um baile de máscaras, no Hotel Cambridge, em São Paulo, com o jovem cantor sendo acompanhado por Uira Bueno (bateria), Rodrigo Abud (baixo), Ricardo Gameiro (guitarra) e Bruno Schulz (piano, acordeon e pandeiro). Após o show, Cícero assumirá as pick-ups, mostrando aos paulistanos um pouco da festa PULP, e depois dará lugar para o músico Clayton Martins, do Cidadão Instigado.

Gravado de modo caseiro, daí o título, o álbum convence logo na audição da primeira faixa, “Tempo de Pipa”. Numa mistura de Los Hermanos e Beirut, a orquestra do norte-americano Zach Condon, Cícero manda o recado: “Pode me esquecer / se você quiser / Ou se deixar chover / se você vier / Eu vou te acompanhar de fitas / Te ajudo a decorar os dias / Te empresto minha neblina”. Em seguida, em “Vagalumes Cegos”, ele se oferece a amada para ir ao parque, discutir Caetano (Veloso), planejar bobagens e morrer de rir.

A influência “caetaneana”, principalmente dos anos 1970, segue em “João e o pé de feijão”. Nela, Cícero é acompanhado por Paulo Marinho na bateria e se divide entre voz, violão, guitarra, baixo, pandeiro, tamborim e coro. Ou seja, faz de tudo um pouco na faixa em que assume mais funções. O título com ares infanto-juvenis já aparecera na mais soturna, com ares de Radiohead, “Cecília & os balões”: “Pra começar / a descobrir / o que é chegar / e o que é partir / o coração só / precisa de ar / E deixar”.

A temática da relação a dois no apartamento domina a maior parte das faixas, como acontece na ótima “Açúcar ou adoçante” (seria o “Com açúcar, com afeto” da nova geração?), marcada pela bateria de Paulo Marinho: “Entra pra ver / Como você deixou o lugar / E o tempo que levou pra arrumar / Aquela gaveta”. 

Outra ótima faixa, explosiva como devem ser as canções de amor, “Ensaio sobre Ela”, conta com o precioso acordeon de Bruno Schultz: “Nem vi você chegar / Foi como ser feliz de novo”. O clima romântico desesperado reaparece em “Eu não tenho um barco, disse a árvore”, com o “refrão sem graça”, marcando certo sarcasmo, que perpassa a maior parte do álbum: “Deixa pra depois / O que já não precisa esperar / E tudo que não deu pra consertar / Por culpa do depois”.

Porém, Cícero parece dialogar com outros artistas cariocas contemporâneos, como Monobloco e Pedro Luís e a Parede, em “Laiá Laiá”, que conta com o coro de Bruno Schultz e traça um retrato do carnaval carioca: Vamos botar / chapéu de burro na cabeça do rei / Deixar a tristeza no canto e sair / Pra batucar na Rio Branco às seis / Vamos cantar / Glórias mofadas de um Braguinha qualquer”. No show, ela será marcada pela estreia do videoclipe realizado pelo Coletivo AM. 

O álbum termina com “Pelo Interfone”, explícita referência a Bossa Nova, citando Tom Jobim e “Dindi”; e com a animada “Ponto Cego”: “Tanto / faz qualquer canto / pra qualquer santo / que saiba ler / que queira dar / sem receber / que esteja a par / do que vai ver / de onde vai dar / mas quem se importa? / É sexta-feira, amor! / tem quem queira! / Giramundocão”. Fica comprovada, portanto, a inventividade do carioca Cícero em seu ótimo álbum de estreia. Vale a pena conferir no Hotel Cambridge se a qualidade permanece ao vivo, durante um baile de máscaras.

Serviço
Baile de Máscaras do cantor Cícero – CD “Canções de Apartamento” 
sábado (14), a partir das 18h
Ingressos de R$25 (antecipado ou com máscara) a R$30 (na porta)
Hotel Cambridge – Rua João Adolfo, 126. Bela Vista. São Paulo/SP
T: (11) 3101-2537

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