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João Bosco comemora 40 anos de carreira com amigos em CD e DVD

por guibryan1 publicado 14/06/2012 16h31

“Quarenta anos e nenhum problema resolvido”. Esse é o verso de Carlos Drummond de Andrade escolhido pelo cantor e compositor João Bosco para celebrar seus 40 anos de carreira, com um CD e DVD, realizado em parceria com o Canal Brasil e onde reúne velhos e novos amigos. Mas, em vez de optar pela seleção de seus maiores sucessos, o artista, sempre ousado, opta por interpretar canções de seus ídolos, trazer à tona canções que andavam meio esquecidas e dar novas roupagens para alguns poucos clássicos.

Aos 65 anos, o cantor e compositor de Ponte Nova, cidade da zona da mata mineira, retorna para onde tudo começou: a canção “Agnus Sei”, parceria dele com Aldir Blanc, lançada em 1972, num disco de bolso comercializado pelo jornal “O Pasquim”. Com forte influência da arte barroca mineira, o cantor dá nova roupagem à canção ao contar com a participação especial dos também mineiros Milton Nascimento e Toninho Horta. “Faces sob o sol, os olhos na cruz / Os heróis do bem prosseguem na brisa da manhã / Vão levar ao reino dos minaretes / A paz na ponta dos arietes / A conversão para os infiéis”.

“Como os nossos tempos de mashups e cut and paste têm enfatizado, nenhuma criação se faz a sós, por si só. Assim, os 40 anos de carreira de João Bosco são os 40 anos de diálogo de sua obra com mestres da tradição e, principalmente, da sua geração. O presente trabalho é também uma leitura pessoal dessa moderna época de ouro da música brasileira que são os anos 50/60/70”, explica o filho e parceiro Francisco Bosco, no encarte do CD e do DVD. Este, aliás, traz imagens das gravações das canções em estúdio, um making of e uma ótima entrevista com João Bosco.

Os tais mestres da tradição e de geração escolhidos por João Bosco são Tom Jobim, presente com “Fotografia”; o cubano Ernesto Grenet, com a charmosa “Drume Negrita”; Paulinho da Viola, com “Tudo Se Transformou”; Noel Rosa, na parceria com Vadico, “Pra Que Mentir”; e Milton Nascimento, com a parceria com Márcio Borges, “Tarde” (um dos símbolos do Clube da Esquina) e instrumental “Julia”, que conta com a participação do amigo de longa data e pianista Cristóvão Bastos. Chico Buarque é o autor de “Bom Tempo”, a qual interpreta com João Bosco e que termina como se fosse um poderoso samba-enredo. 

Chico Buarque faz outro dueto com João Bosco num dos maiores sucessos deste, “O Mestre-Sala dos Mares”, parceria com Aldir Blanc lançada no álbum “Caça a Raposa”, de 1975. Do mesmo trabalho, vem outras três parcerias com Blanc –  a faixa-título, “Bodas de Prata”, que conta com Toninho Horta e Cristóvão Bastos; e “De Frente Pro Crime”, com a cantora Roberta Sá e o instrumental Trio Madeira Brasil. Esse trio também está presente em “Plataforma”, outra composição de Blanc-Bosco, originalmente do álbum “Tiro de Misericórdia”, de 1977. 

Da safra mais recente, aparecem “Tanajura”, do disco “Não vou pro céu, mas já não vivo no chão”, de 2009; “Jimbo no Jazz”, parceria com Nei Lopes, do mesmo trabalho; e a inédita “Eu Não Sei Seu Nome Inteiro”, composta com o filho Francisco Bosco e o eterno amigo João Donato, que participa tocando piano.

João Bosco é acompanhado de músicos que já estiveram com ele nas estradas da vida. São eles: Ricardo Silveira (guitarra), Nelson Faria (guitarra), Jorge Helder (baixo acústico), João Baptista (baixo elétrico), Armando Marçal (percussão) e Kiko Freitas (bateria). E, desse modo, o artista estabelece, mesmo que sem se valer das músicas mais conhecidas do grande público, um intenso diálogo com seu passado e com o futuro.

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