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Peça 'A Mecânica das Borboletas' reúne hippies e sonhadores

por guibryan1 publicado 17/04/2012 16h13

Atores em cena durante espetáculo "A Mecânica das Borboletas", em cartaz em São Paulo (Foto: ©Guga Melgar/Divulgação)

Ainda vale a pena acreditar e apostar em seus sonhos. Essa parece ser a grande lição do bom espetáculo “A Mecânica das Borboletas”, de Walter Daguerre, com direção de Paulo de Moraes, que estreou nesse final de semana, no Teatro Anchieta, no Sesc Consolação, em São Paulo. Ele fica em cartaz até 27 de maio.

A história começa com Rômulo (Eriberto Leão) retornando para casa no sul do Brasil, após uma ausência de 20 anos. Ele decidiu fugir com todas as economias da família e desbravar o mundo, aconselhado por um velho hippie. Nesse período, viajou muito e se tornou um conhecido romancista de ficção científica. Porém, perdeu repentinamente a inspiração e resolveu voltar às origens para desvendar esse mistério.

Na sua casa, as coisas também mudaram bastante. Seu pai, dono de uma oficina mecânica faleceu; sua mãe (Suzana Faini) enlouqueceu; seu irmão gêmeo, Remo (Otto Júnior) assumiu os negócios da família e também a primeira namorada de Rômulo, Lisa (Ana Kutner), e sonha em viajar pela América do Sul a bordo de uma moto Harley-Davidson, a qual se dedica a consertar há anos, só faltando uma peça, justamente chamada borboleta, que é uma das possíveis e mais óbvias justificativas para o título do espetáculo.

A partir daí, Rômulo provoca uma reviravolta em toda a família, inicialmente provocando a revolta de Remo e fazendo sua mãe acreditar tratar-se do pai comunista e ateu que voltou das cinzas, numa das cenas mais divertidas do espetáculo. Ela é protagonizada por Suzana Faini, numa atuação soberba. Também se envolve com a primeira namorada e atual esposa do irmão. E o faz pensar em desistir dos sonhos.

O texto de Walter Daguerra possui algumas boas sacadas, com direito a várias citações literárias, do clássico beatnik “On The Road, de Jack Kerouac; ao “Fausto”, de Goethe. Há muitas citações políticas e ao universo hippie, incluindo o preconceito direcionado a ele. A escolha dos nomes dos meninos, por exemplo, é um dos grandes momentos do texto. Ana Kutner, Otto Júnior e Eriberto Leão também estão muito bem em seus respectivos papeis.

Também chama atenção o cenário criado por Carla Berri e Paulo de Moraes, que possui dois andares. Em primeiríssimo plano, há um jardim com flores e as cinzas do patriarca da família. Logo atrás, do lado esquerdo, um jipe todo aberto, representando a oficina mecânica; e do lado direito uma cozinha com uma mesa, simbolizando a casa. No segundo andar, está apenas a Harley-Davidson, como símbolo máximo da sonhada liberdade. Esse aspecto é reforçado pela iluminação de Maneco Quinderê.

A trilha musical original de Ricco Viana ajuda, e muito, a aumentar a dramaticidade do espetáculo. Porém, em alguns momentos, o volume parece excessivamente elevado. Ela é reforçada pela canção “Al Outro Lado Del Rio”, de Jorge Drexler, utilizada no filme “Diário de Motocicleta”, de Walter Salles Jr., que é baseado justamente nos diários da viagem de Che Guevara pela América do Sul, que também ocupam posição de destaque na trama da peça.

Serviço
Peça A Mecânica das Borboletas
sexta e sábado, às 21h, e domingo, às 18h. Até 27 de maio. Ingressos a R$32
Teatro Anchieta – Sesc Consolação – Rua Dr. Vila Nova, 245.
Consolação - São Paulo/SP
T: (11) 3234-3000

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