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"As Neves do Kilimanjaro" defende a solidariedade

por guibryan1 publicado 07/04/2012 07h40, última modificação 09/04/2012 10h13

Estreou na sexta-feira (6) nos cinemas brasileiros “As Neves de Kilimanjaro”, novo filme do diretor francês Robert Guédiguian, que, por meio de várias situações limite, mostra que vale a pena acreditar na solidariedade e no amor entre as pessoas. Também leva o espectador a refletir a respeito dos próprios limites que estabelece entre certo e errado, justiça, vontade de vingança, entre outros aspectos comuns a surgirem quando alguém é assaltado. O longa-metragem já havia sido exibido na 35ª Mostra Internacional de São Paulo e na mostra Un Certain Regard, do Festival de Cannes.

Michel (Gérard Meylan) é diretor de um sindicato e participa do sorteio que define 20 funcionários que serão mandados embora. Apesar de uma postura que não está de acordo com sua construção ética ao longo dos anos, ele cede e acaba sendo demitido em seguida. Aproveita, então, para levar a vida como se estivesse aposentado, comemorando as bodas de ouro de seu casamento, diante de netos, filhos e amigos, que lhe dão de presente uma viagem aos montes Kilimanjaro, na margem oriental sul da África.

Entre os convidados, está um rapaz que foi sorteado por Michel que mora na periferia da cidade com os dois irmãos mais novos e a mãe, que raramente os procura e, quando o faz, é com uma postura violenta. Ele arquiteta roubar quem foi seu algoz. A cena do assalto é marcada por violência contra não só Michel e a esposa (Ariane Ascaride), mas também um casal de amigos deles.

A primeira reação de Michel é a de revolta e a vontade de vingança, conseguindo levar o garoto para a prisão. Porém, uma reviravolta surpreendente aguarda o personagem, fazendo-o, assim como os espectadores, rever muitos de seus conceitos, ao entrar em contato com os irmãos menores de seu sequestrador e, com ele preso, correm o risco de ir para um centro de menores. Ou seja, por meio de uma narrativa muito bem construída, em cima de uma situação comum e aparentemente banal, o filme consegue traçar um raio-X bastante interessante, e cheio de esperanças, da nossa sociedade contemporânea.

“As Neves de Kilimanjaro” é, portanto, um filme envolvente, com atuações bastante convincentes, baseado num poema de Vitor Hugo, “Les pauvres Gens”, e que conta com lindas imagens da cidade francesa de Marselha. Também merecem atenção a fotografia e a edição caprichadas, realizadas, respectivamente, por Pierre Milon e Bernard Sasia.

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