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Filme sobre poetisa que retratou o Apartheid estreia em circuito nacional

por guibryan1 publicado 22/09/2011 10h54, última modificação 22/09/2011 10h54

Quando Nelson Mandela assumiu a presidência da África do Sul, em 24 de maio de 1994, ele emocionou a população e boa parte do planeta, ao ler o poema “A criança (que foi assassinada por soldados em Nyanga)”, da poetisa nativa Ingrid Jonker Prize, que nasceu em 19 de setembro de 1933 e morreu em 19 de julho de 1965.

A história dela é contada no filme “Borboletas Negras”, co-produção entre África do Sul, Alemanha e Holanda, que estreia nessa sexta-feira, 23 de setembro, nos cinemas brasileiros. Esse é o segundo longa-metragem dirigido pela diretora holandesa Paula van der Oest, que, em 2003, foi indicada ao Oscar de melhor filme estrangeiro por “Zus & Zo”.

O filme começa com Ingrid e a irmã caçula Ana perdendo a mãe e sendo buscadas por um homem poderoso e membro do governo sul-africano, interpretado pelo veterano ator Hutger Hauer, que as envia para um colégio interno, onde os dons da poetisa começam a aparecer. Ao retornar para a casa do pai adotivo, ela começa a se rebelar em busca de uma vida libertária e se junta a um grupo de escritores que não aceita o sistema segregacionista do Apartheid, na década de 1960.

Desse grupo de escritores, faz parte o romancista Jack Cope (Liam Cunningham), muito conhecido na época, que se apaixona por ela. Porém, ele não agüenta tanta instabilidade emocional de Ingrid, que vai demonstrando ser, ao mesmo tempo, libertária, atormentada e incapaz de se entregar ao amor. Em meio há vários casos fugazes, ela tem uma filha e acaba internada como louca.

Uma das sequências mais bonitas do filme é aquela que mostra justamente Ingrid presenciando o assassinato bárbaro e cruel de uma criança negra, sentada no banco de passageiro de um carro pilotado pelo pai, que tenta, sem sucesso, levá-la ao hospital. Esse é o fato que inspirará a poetisa a escrever justamente o poema lido por Nelson Mandela, considerado uma das obras mais conhecidas da literatura sul-africana e que se tornou um forte símbolo da África livre.

Ingrid é brilhantemente interpretada pela atriz Carice van Houten, que consegue transmitir toda a profundidade da amargura e do sofrimento vivido pela poetisa, com todas as suas dúvidas, inseguranças e incertezas num país marcado pela guerra civil, resultante de um regime político de exclusão social e intenso preconceito racial. Esses aspectos são destacados também pela ótima direção e pelos outros elementos técnicos, com destaque para a ótima trilha musical de Philip Miller.

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