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Jamirulus estreia em CD com pop rock estimulante

por guibryan1 publicado 07/09/2011 17h05

Ruídos de um passear pelo dial do rádio. “A expectativa é grande. Vai começar o grande espetáculo. Apita o árbitro. Está valendo”. Assim começa o álbum de estreia da banda paulistana Jamirulus, “54”, com a marcante narração do locutor de futebol, Silvio Luis, que retorna ao longo de toda a ótima faixa “Dia de Jogo”: “Ganhando ou perdendo / Não paro de cantar / A minha vida inteira / Sempre a incentivar / Tenho consciência do que estou fazendo / E quem me critica / É quem sai perdendo”.

Essa é a boa "petulância" desejada de uma banda formada por uma garotada competente e com sede de sucesso. No caso, o guitarrista Simba, o baixista Leandro “Piru”, o baterista Don Boccalini e o vocalista Geddy, que seguem com entusiasmo na contagiante “Eu Vou Pra Praia”, com direito ao ruído do abrir de uma lata de cerveja e que retrata a dura rotina na capital paulista: “Eu vou pra praia / No fim de semana  / Sair dessa cidade / Por favor, me chama”.

O entusiasmo retorna na faixa seguinte - “O Que Você Quiser” - um pop rock para quem gosta do estilo dos anos 2000, reforçado pela ótima presença do guitarrista Simba e do baterista Don Boccalini. O funk e os metais entram com competência em “Play” e também é eficiente a faixa-título: “Andando nessa fila / Pensando no futuro / Nesse dia minha / Vida vai ser decidida / Cada um por si / Procurando o seu rumo / O ano inteiro ouvindo a mesma história”. Também vale a pena prestar atenção na mais pesada, “O Melhor da Vida”, que começa com o ruído de um aparelho de hospital.

Pena que, na balada “Um Sonho”, a banda soe demais parecidas com outras bandas brasileiras de pop rock, como NX Zero e Fresno. Não é à toa que a direção artística do álbum é do produtor Rick Bonadio, o mesmo das bandas citadas. Esse tom segue na um pouco melosa “Tempos Difíceis”: “Pensei que não fosse me importar / Mas a sua ausência me fez pensar / Que talvez devesse me desculpar / Apesar de errado eu não estar”. Ainda romântica, mas um pouco mais elaborada, graças ao uso de cordas, é “Os Medos”. 

Portanto, “54” é um álbum competente e entusiasmante, mas, às vezes, parece faltar mais originalidade, como confirma a letra da criativa "Play": “Num toque da guitarra / De baixo ou da batera / Mandando o som que / A galera sempre espera”. Porém, o inesperado, quando bem realizado, é sempre melhor e muito mais estimulante do que o já conhecido ou esperado.

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