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Guilherme Arantes é homenageado em CD por roqueiros baianos

por guibryan1 publicado 02/09/2011 13h53

Capa do CD que homenageia Guilherme Arantes (Reprodução)

Se você tem a imagem do cantor e compositor Guilherme Arantes como o baladeiro número 1 da música brasileira, desfaça-se um pouco dela ao escutar o CD "A Cara e o Coração". Artistas e bandas de rock da Bahia resolveram comemorar os 35 anos de carreira do artista dando novas interpretações e roupagens para as canções do terceiro e do quinto álbum solo dele, "A Cara e a Coragem", de 1978, e "Coração Paulista", de 1980. Antes, o também tecladista havia passado pela banda de rock progressivo Moto Perpétuo, para ele uma espécie de indulto que se pagava na época.

"A Cara e o Coração" começa com uma gravação empolgante de "Viva!", faixa que também abria o álbum "A Cara e a Coragem". Aqui, trata-se de uma gravação coletiva com a presença de integrantes de todas as bandas do projeto – João Victor, do Quarteto de Cinco; Lívia Ferreira, da Neologia; Roy, de oCirculo; Tiago Oliveira, da Maglore; Enio, de Enio e a Maloca; Fabinho e Nancy Viegas, da Radiola; Pietro Leal, do Pirigulino Babilake; Henrique Ch, de Setembro; e Rafa Hajoe, da Hajoe. O próprio Guilherme Arantes participa tocando piano, synth e órgão, e todos entoam os versos de otimismo alentador: "Viva você / Viva nós, viva o dia / Viva viver / Viva a vontade / De claridade / Que hoje me invade".

A primeira metade do tributo é formada pelas canções do álbum de 1978, "A Cara e a Coragem", em que Guilherme Arantes revelava ser um cronista de mão cheia da juventude paulista. A banda Magiore faz uma animada gravação da faixa-título. Porém, é mais irresistível a competente versão do grupo Hajoe para "Não Vá Pro Quarto Chorar", do mesmo disco: "Não vá pro quarto chorar / Que a infância já acabou / Pra quem já principiou / A caminhada / Auge da vida / Esqueçamos de bobagens / Se ainda temos tantas viagens".

Também é grata surpresa a gravação de "14 Anos", pela Neologia; da ótima "Brazilian Boys", por Enio e a Maloca; de "De igual pra igual", que ficou ensolarada com Pirigulino Babilake; da dançante "Show de Rock", com Radiola; e do sucesso "Mas ela não quer, mas ela não pode", pela banda Setembro: "Não convido mais / Você pra sair / Passando das nove horas / Já sei qual será a resposta / Já sei qual será a desculpa / Sua mãe é ranheta, seu pai é careta / E você é uma garota certa". A crônica da geração dos anos 70, "Brincos na orelha", vira um rock irresistível com oCirculo: "O receio que eu tenho é que o tempo / Passe rápido, passe todo / E a gente envelheça curtindo / Assistindo feito bobo / Brincos na orelha, cabelo transado / Espírito velho em corpo enfeitado".

A segunda metade do álbum, claro, é dedicada a "Coração Paulista", cuja faixa-título ganha bonita gravação de Hajoe. Porém, a força está mesmo na empolgante gravação de Setembro para a balada "A Noite":  "A noite é o reino da calma / Reino da pausa, tempo de amar / A noite é tanto prazer / Tantos encontros, tanto se dar". Curioso é notar a referência aos UFOs no final da letra. Mais setentista impossível, criando contraste interessante com a versão quase psicodélica de "Estranho", feita por Radiola, com direito a mentalização de Felipe Kowalczuk. Muito bonita também é a versão baladeira de "Brasília". Afaste os móveis da sala e dance agarradinho.

O sucesso "Fantoches" volta com todo o brilho e a força na gravação de Enio e a Maloca: "Odeio fantoches / Capachos do chefe / Cupinchas do patrão / Odeio essa raça / De gente costa-quente / Gente falsa / Serpente / Que se arrasta pelo chão". Para terminar com todo mundo dançando o samba-rock "Se você fizer um som", com Pirigulino Babilako, algo até agora inimaginável na carreira consagrada de Guilherme Arantes. Estamos, portanto, de uma homenagem realizada com extrema criatividade e talento por uma nova geração para um artista que realmente a merecia.

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