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Flip começa nesta quarta com homenagem a Oswald de Andrade

por Guilherme Bryan, para a Rede Brasil Atual publicado 06/07/2011 15h50, última modificação 06/07/2011 18h57

 A Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) já se tornou um dos mais importantes eventos de literatura do Brasil. Criado em 2003, o evento já trouxe grandes nomes da literatura e também de outras áreas, como ciências, música, quadrinhos etc. a uma das mais bonitas e inspiradoras cidades do litoral brasileiro. Em sua nona edição, que começa nessa quarta-feira (6), a partir das 18h, a festa homenageia o poeta e romancista modernista e antropofagista Oswald de Andrade.

Um dos momentos mais esperados desta edição é justamente a abertura, com o aclamado ensaísta e crítico literário Antonio Candido, que se autodenomina o último amigo vivo do homenageado Oswald de Andrade. Ele divide a mesa com um de seus orientandos na Universidade de São Paulo, o músico José Miguel Wisnik, que, em seguida, fará o show de abertura com Elza Soares e Celso Sim. Trata-se de uma apresentação ousada diante de um palco que já foi ocupado por grandes nomes da música brasileira como Maria Bethânia e Edu Lobo.

A quinta-feira, 7 de julho, será voltada principalmente aos eventos com convidados locais e mais homenagens a Oswald de Andrade. As 15h, os historiadores Gonzalo Aguilar e Marcia Camargos analisarão o legal de um dos principais nomes do Modernismo no Brasil. Em seguida, haverá um recital multimídia, com produção cênica de Frederico Barbosa, Marcelo Ferreti, Susanna Busato e o coletivo MALLARMIDIALab. Mas o destaque mesmo do dia é a mesa “O humano além do humano”, às 19h30, com o cientista Miguel Nicolelis e o filósofo Luiz Felipe Pondé.

Na sexta-feira (8), chama atenção as três mesas que acontecem das 15h às 18h, e são marcadas pela reflexão literária nos mais diferentes gêneros. O escritor húngaro Péter Esterházy dialoga com o francês Emmanuel Carrère a respeito do gênero memória. Já os brasileiros Ignácio de Loyola Brandão e Contardo Calligaris abordam as relações e diferenças entre ficção e crônica. Já o escritor Lourenço Mutarelli atua em texto de sua autoria, com direção e iluminação de Nilton Bicudo, em que relata os últimos minutos de vida do pai dele.

Os destaques de sábado são o cartunista nascido em Malta, Joe Sacco, que vai analisar as relações entre jornalismo e quadrinhos no seu trabalho. Ele se notabilizou por transformar acontecimentos históricos em regiões de conflito, como os Balcãs e a Palestina, para a linguagem das “graphic novels”. Já o romancista norte-americano James Ellroy conta, às 19h30, ao jornalista Arthur Dapieve, como conseguiu renovar a linguagem do romance policial nos livros que deram origem aos sucessos cinematográficos “Dália Negra” e “Los Angeles, Cidade Proibida”.

O último dia reserva o evento Palavras das Ruas, às 11h, com o poeta Sérgio Vaz, conhecido pelo trabalho no coletivo Cooperifa, que apresenta poetas que escrevem sobre as ruas de São Paulo, caso de Rodrigo Criaco, Marcelino Freire e Cocão. Em seguida, o cantor e compositor britânico David Byrne, ex-líder da banda Talking Heads (formada nos EUA), comenta sua ligação com a Tropicália e o projeto de urbanismo sustentável que desenvolveu a partir de experiências dirigindo bicicletas nas principais cidades do mundo. A festa termina com a já tradicional seção de leitura de livros de cabeceira por parte de alguns autores convidados.

Na programação paralela, há a Flipinha, voltada ao público infantil, com homenagem ao escritor ucraniano, naturalizado brasileiro, Pedro Bloch, autor de sucessos infanto-juvenis como “Pai, me compra um amigo?” e “Nesta data querida”. A Flipzona também vale a pena ser conferida, em função de bate-papos sobre Edney Silvestre falando sobre jornalismo e literatura; Índigo e Suppa comentando a moda dos blogs; Joe Sacco explicando a relação entre jornalismo e quadrinhos; e Carolina Benjamin, Leandra Leal, Lucas Paraizo e Rita Toledo refletindo a respeito da literatura no cinema.