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Com 'Pamonha e Panaca', teatro resgata simplicidade

por Guilherme Bryan, para a Rede Brasil Atual publicado 09/05/2011 12h30

(©Reprodução)

Dois atores brilhantes, Cristina Pereira e Ricardo Blat; um palco praticamente vazio, exceto por alguns utensílios culinários suspensos do teto por barbantes, jornais jogados no chão e dois sacos de lixo; e um texto, assinado por Rogério Blat, que trata com simplicidade a respeito de temas universais, como fome e as amarguras da vida. Está aí o segredo de um dos melhores espetáculos apresentados nessa temporada em São Paulo – “Pamonha e Panaca”, que fica em cartaz até 15 de maio no Tucarena. Em sistema de arena, como bem diz o nome, esse é um dos mais aconchegantes teatros da cidade, que aproxima de modo definitivo o espetáculo dos espectadores.

Pamonha (Cristina Pereira) e Panaca (Ricardo Blat) pode até parecer o nome de dois palhaços, mas eles são, na verdade, moradores de rua que tentam encontrar uma maneira de matar a fome, já que não comem nada há mais de uma semana. Porém, eles são incapazes de fazer mal a qualquer ser vivo, então jogam os peixes que pescam de volta para o mar; tentam derrubar uma fruta grande da árvore, mas acertam uma colméia de abelhas, sendo atacados; e nem mesmo um frango eles conseguem comer, depois de estrangular, tão grande é o remorso. Ao mesmo tempo, não conseguem demonstrar o amor que sentem um pelo outro, e, na hora em que compram um bilhete de loteria que é premiado, Panaca, o dono, se vira contra a companheira, chamando-a de vagabunda.

Com direção extremamente precisa de Ernesto Piccolo e ótimos efeitos sonoros, o espetáculo é envolvente desde o primeiro instante, em que apenas se escuta os dois personagens discutindo ao longe. A partir daí, os atores mostram uma intimidade e alegria de estar um com o outro, algo bastante raro, e, com isso, parecem recuperar o que há de melhor na comédia mundial. Em alguns momentos, é possível lembrar o clássico “Feios, Sujos e Malvados”, dirigido por Ettore Scola e estrelado por Nino Manfredi, em 1976. Em outros, é impossível não comparar com o personagem Carlitos, de Charles Chaplin, devorando com prazer seu sapato, em “Em Busca do Ouro”, de 1925, ou o saltinho de costas em “O Garoto”, de 1921. Também aparecem referências aos brasileiros Amácio Mazzaropi, Ronald Golias e Zacarias, entre outros.

Se os atores e o texto levam os espectadores a rir e se divertir ao longo de todo o espetáculo, com várias e incríveis gags, no final, todos saem do teatro se questionando a respeito de como a fome extrema leva as pessoas a agirem de modo desesperado, quase infantil e egoísta, mas, ao mesmo tempo, demonstrarem os sentimentos mais profundos de solidariedade. Por isso e muito mais é que “Pamonha e Panaca” já pode ser apontado como um dos melhores espetáculos teatrais do ano.

 

Serviço

Tucarena – PUC-SP – Rua Monte Alegre, 1024. Perdizes.
T: (11) 40031212
Sessões às sextas e sábados, às 21h, e domingos, às 19h.
Ingressos: R$30,00 (sexta e domingo) e R$40,00 (sábado).