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Dólar furado

EUA 2 x 1 Gana: muita velocidade, pouca qualidade

Três belos gols, um deles aos 28 segundos, não retratam a correria e os chutões que marcaram 90% do tempo de jogo
por Futepoca publicado 16/06/2014 21h33, última modificação 17/06/2014 12h07
Três belos gols, um deles aos 28 segundos, não retratam a correria e os chutões que marcaram 90% do tempo de jogo
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Dempsey mostrou aos Estrelas Negras quem tem o chute mais rápido do Oeste

O gol mais rápido da Copa. Já é uma marca pra se levar pra casa. Só com isso, EUA e Gana deixam pra trás a partida que precedeu, ratificando-a como a pior da Copa. De todo jeito, foi mesmo mais velocidade do que qualidade o que assistimos durante todo o primeiro tempo e grande parte do segundo.

Logo a 28 segundos de jogo, numa sequência de toques pela ponta esquerda (apaticamente observada pela defesa de Gana), o camisa 8 yankee Dempsey adentrou a área em diagonal, livrou-se de um zagueiro e bateu cruzado no cantinho, indefensável, belo gol.

Com água no pito (o goró ganense), os Estrelas Negras não conseguiram exatamente iluminar o Brasil, como prometeram no seu slogan. Chutão e correria são os termos que mais bem descrevem o esquema de jogo dos dois lados. E também os passes e lançamentos errados.

Esse time africano diferencia-se num ponto. Lembra as seleções de seu continente dos anos 80 e 90, quando abusavam de criatividade e ousadia, mas com muito pouca qualidade técnica. O resultado são umas jogadas meio loucas, difíceis de entender, mas que de repente sobram pra um chute de fora da área ou uma cabeçada perigosa.

No segundo tempo, os Estados Unidos conseguem a proeza de recuar sem retrancar. Os ganenses aproveitam para fazer uns cruzamentos, sem chegar na linha de fundo, pegando portanto o atacante meio de costas, mas mesmo assim levando perigo. Foram duas cabeçadas venenosas, nos primeiros 10 minutos da segunda etapa.

O veterano Boateng entra aos 13 e melhora consideravelmente as tabelas de ataque de Gana. Só de acertar passes simples e alternar o jogo ora pela esquerda ora pela direita, já consegue um outro ritmo ao seu selecionado. E de fato passa a receber absolutamente todas as bolas que chegam ao campo estadunidense.

Agora sim! O camisa 20 Asamoah dribla ousadamente o lateral direito, bate forte cruzado e consegue colocar a bola na marca do pênalti, mas a Brasuca não colabora e quica na canela do atacante Atsu. A defesa norte-americana recupera a bola, é a sua vez!, tentam o contra-ataque, mas a jogada se desfaz quase como se não tivesse nascido. Vai vendo...

Quando parecia que só restava à plateia não-estadunidense e não-ganense lamentar o ingresso pago, uma surpresa. Os africanos descobrem uma bela sequência de passes pelo lado esquerdo, e um desconcertante toque de calcanhar escancara o caminho para que André Ayew chute forte para o empate.

Não deu nem cinco minutos para que, num escanteio, o zagueiro Brooks de cabeça recoloque os Estados Unidos à frente, definindo o placar final.

Os últimos dez minutos trouxeram a emoção que faltou aos outros 79, excetuando-se o minuto de abertura. Valeu a participação, mas é difícil imaginar que alguma dessas duas equipes irá criar dificuldades reais para o temporariamente abatido Portugal.