Polarização?

O Legislativo, o Judiciário, a elite econômica, o golpe e o desgoverno. Por Ariovaldo Ramos

Ninguém indenizará o povo trabalhador brasileiro por amargar perdas decorrentes do golpe. Nem o povo brasileiro por ter de enterrar tantos entes queridos

CC.0 Wikimedia

Há alguns anos, uma amiga jornalista foi convidada para fazer uma reportagem intitulada “A guerra dos Estados Unidos da América contra a República Federativa do Brasil”. A rede teve o cuidado de tirar minha amiga do Brasil e transferi-la para a Europa, para garantir sua segurança. Infelizmente, por motivos alheios à vontade dos promotores o projeto não pode ser realizado. Hoje, contudo, vejo que a proposta era correta, uma guerra estava sendo travada e nós nem nos demos conta. Porém, os resultados estão aí. Golpe de Estado, fim da soberania nacional, debacle econômico e social, eleições suspeitas, prisão política, desgoverno, desemprego, fome e genocídio.

O pior é que os principais agentes dessa guerra eram internos: legislativo, lava-jato, judiciário, elite econômica, sistema financeiro e o desgoverno sem partido. O Brasil que foi atacado foi o Brasil dos trabalhadores e trabalhadoras, que se tornara potência social e econômica. Finalmente, o TCU reconheceu que houve golpe, pois a ex-presidenta é inocente da acusação de irresponsabilidade na compra da refinaria de Pasadena. E também finalmente, o STF reconheceu que o julgamento do ex-Presidente Lula é sem valor, porque foi levado a efeito por tribunal incompetente e por juiz suspeito. E finalmente ainda, o desgoverno será investigado por incompetência no gerenciamento da pandemia, que já nos custou mais de 350 mil vidas.


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O fato, entretanto, é que ninguém indenizará a ex-presidenta Dilma pelo golpe sofrido e por tudo o que isso produziu. Ninguém indenizará o ex-presidente Lula por 580 dias de prisão e por tudo que isso lhe acarretou, fruto de inúmeras injustiças. E ninguém indenizará o povo trabalhador brasileiro por amargar perdas de condições sociais e econômicas, por ter de re-encarar o desemprego, a perda de moradia, a fome. Ninguém indenizará o povo brasileiro por ter de enterrar tantos entes queridos.

Por isso, estranho essa conversa de polarização: que acordo pode haver entre os traidores e os traídos, entre os assassinos e os assassinados?

RBA

Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito